fevereiro 12, 2009

Há dois anos sem fumar

Após umas dezenas de anos a fumar, estou prestes a completar dois anos desde que acabei por cortar com o vício. Em jeito de reflexão, recordo aqui o início do processo colando a correspondência que então troquei com o parar.net. Trata-se de uma ONG a quem, casualmente, enviei um e-mail quando senti necessidade de contar a minha "façanha" a alguém. Através da pessoa que me respondeu, obtive um feed-back importante que veio a revelar-se precioso nesta luta para deixar o tabaco. Decorridos dois anos, continuo muito satisfeito por ter deixado de fumar e com a auto-estima em alta por ter tido a firmeza de manter a decisão.
Aqui fica o primeiro de entre muitos mails trocados e a respectiva resposta. Deixo também os meus agradecimentos ao Parar.net e em especial à Anne, minha confidente e amiga virtual a quem, por mero acaso, coube em sorte. Sorte minha, acrescento, porque, com a sua sensibilidade e bom senso, soube dar-me o feed-back adequado que me ajudou neste propósito.

On 2/17/07, Zé Ruela wrote:
Olá,
Numa pesquisa na net encontrei o vosso site.
Tenho uma vida plena de actividade física, relacionada com o ar livre e o desporto. Tenho saúde e sempre me senti bem e, até ao momento, ainda não me apercebi dos efeitos nefastos do tabaco, a não ser o odor e o paladar menos apurados . Mas, toda a gente diz e concordo, o tabaco está a mais na minha vida e não condiz, em nada, com o meu estilo de vida.
De acordo com o teste da vossa página sou um fumador fortemente dependente.
Parei de fumar há 3 dias, após vária tentativas fracassadas. Dentro de poucas horas entrarei no meu 4º dia sem fumo (zero cigarros). A moral e a motivação estão fortes e sinto-me firmemente decidido a continuar esta luta e vencer a dependência. A minha ajuda está a ser um penso de nicotina diário. Estou tão optimista e decidido que, por vezes, coloco a hipótese de deixar a muleta da nicotina e continuar a luta sozinho, sem rede, mas não me atrevo a deixar a única ajuda que tenho.
Li tudo o que encontrei sobre estratégias para deixar de fumar e, em quase todas, figurava o único item, que não respeitei - pedir a juda de familiares e amigos.
Ainda ninguém se apercebeu, nem familiares nem amigos, que parei de fumar há quase quatro dias. E tb não informei ningém do facto além da info@parar.net a quem estou, neste momento, a dar a notícia. Para os familiares também não era fácil aperceberem-se porque não fumo dentro de casa nem no carro e muito raramente à frente de qq familiar. Não me parece pertinente esta dica de pedir o apoio de familiares e amigos e explico porquê: Esta luta é tão difícil que tem de ser forçosamente uma luta individual; se não o fazemos por nós próprios não me parece que o façamos seja por quem for. Corrijam-me se acharem que estou errado acerca desta questão.
Desde já, muito obrigado pelo vosso papel de confidentes anónimos.
Um candidato a ex-fumador.


Resposta do parar.net:

Prezado Zé,
Obrigado pelo teu email.
No teu caso particular, não nos parece estranho não partilhares essa tua decisão com familiares ou amigos. Pareces mesmo decidido e mais do que qualquer outro apoio, a própria força de vontade é o melhor auxiliar.
Cremos que com essa força de vontade e com o teu estilo de vida (muito desporto e o hábito de não fumar na presença de outras pessoas ou em lugares fechados) vais ser capaz de o deixar.
Muitas vezes o tabaco está associado aos momentos de partilha com amigos e familiares e aí precisamos deles para nos ajudar a deixar o vício. Não é o teu caso.
Desejamos-te muita sorte e damos-te os parabéns pela tua decisão e força de vontade!

Uma boa semana!

A equipa do parar.net

1 comentário:

aix disse...

Quase todos nós temos uma história da nossa relação com o tabaco. A minha foi assim: comecei a fumar já depois da adolescência, fumei bastantes anos, fiz algumas tentativas para deixar o vício, mas retornava quando aceitava um cigarro “por brincadeira”. Um dia tomei a decisão de deixar, na base de um desafio de auto-domínio e de teste à minha força de vontade. Venci-me a mim próprio pois ganhei a aposta: já passaram mais de 20 anos e agora nem “por brincadeira” pois sinto que, em certas alturas, bem me apetecia um cigarrito e não arrisco. Os malefícios do tabaco estão comprovados científicamente se bem que, estatisticamente, está entre os fumadores a maior % dos que não «acreditam» neles. Mas, tal como em relação à teoria evolucionista, isto não é matéria de fé, embora haja mais fixistas entre os crentes.