novembro 29, 2015

A cura das azeitonas



Este ano as azeitonas são mesmo boas, sem bicho, graúdas e, muito importante, houve oportunidade de as apanhar mesmo no ponto, já bem criadas e antes das primeiras geadas.
A pedido da minha amiga Carmo, deixo algumas dicas sobre o assunto, poderão ser úteis a mais alguém.
Há muitas variações na forma de as curar mas, basicamente, seja por processos químicos ou naturais, o que se pretende é retirar-lhes a acidez característica e torná-las comestíveis. 

Cuidados a ter:
 
  • Nunca lhes tocar em Lua Nova, deixar passar um sábado desde que começou a dita e, só a partir daí, é que se lhes pode começar a ligar
  • Podemos separar as verdes das maduras. As mais maduras não aguentam tanto tempo em conserva e, além disso, são mais saborosas.
  • As mais verdes  devem ser guardadas para mais tarde. Basta metê-las numa solução salina saturada e guardar e aguardar. É preferível  mexer a água com sal e depois deitá-la nas azeitonas para não as maçar. Nessa solução salina aguentam um ou vários anos mas estarão prontas a comer lá para Março. Em breve criam uma película impermeável que não deve ser retirada até à mudança de água, já curadas, lá para Março ou Abril,  pois protege-as criando uma barreira natural e ajuda a conservar.
  • Vamos tratar das maduras que se faz tarde. 
  • Para acelerar o processo podemos golpeá-las e escaldá-las diariamente (água 40/50ºC) ou, no mínimo, mudar-lhe a água todos os dias.
  •  É de evitar usar água da torneira (tratada) contém cloro e fá-las ficar moles.
  • Também, para ajudar a retirar o amargor mais rápido, podem colocar-se em cinza. Num balde vai-se colocando camada de azeitonas e um pouco de cinza.
  • O tempo de cinza varia, se for colocada logo no início da cura pode durar por três a quatro dias; se estiverem quase curadas não devem ficar mais do que um a dois dias. No caso da foto acima, como elas estão quase comestíveis só vão ficar em cinza por 24 horas. O excesso de tempo em cinza pode acabar por estragar tudo, pode retira o amargo mas também o paladar característico que interessa manter.
  • Depois de retirado o amargor, continuam a ser deixadas em água com sal e algumas aromáticas. 
  • Não vale a pena exagerar com as aromáticas pois algumas ervas amolecem as azeitonas. Eu coloco apenas tomilho, loureiro e casca de laranja. 
  • A quantidade de sal, depois de curadas, depende do tempo que as queremos conservar, quanto mais tempo mais sal. Mas estas, se estiverem maduras e apetitosas, não duram muito e, como tal, podem ser apenas temperadas a gosto. Se tiverem muito sal terão de ser retiradas com antecedência e postas em água sem sal para ficarem"au point".
    Boa cura e bom proveito.

Encontrado por acaso

Ao pesquisar no Google acabei por ser encaminhado para o meu próprio blogue, aqui abandonado desde há muito tempo. Estive e reler e gostei de recordar as tretas que aqui fui debitando ao longo do tempo.
Logo que passe este sufoco da apanha da azeitona, quase sempre sem acesso à net, vou tentar voltar à escrita, se não tiver outra utilidade servirá para mais tarde recordar.

julho 03, 2015

Regresso ao blogue

Ontem, recebi um comentário/pedido de ajuda sobre rega gota a gota. Recebi-o no mail, como habitualmente, mas, para o publicar, teria de aceder ao blogue. Afastado destas lides há mais de três anos, tive que andar às voltas até encontrar a forma de entrar de novo.
Isto deixou-me a pensar que a ascensão do facebook concorreu com os blogues e acabou por deixar estes para trás.
Estou pois a voltar à escrita no blogue para manter o tasco aberto, a tal função fática da linguagem, e também como forma de auto-motivação para retomar  a escrita com regularidade porque... afinal até gostei de reler o que escrevi em tempos idos.  

abril 09, 2012

Dormindo com o inimigo


Dormindo com o inimigo é o lugar comum que melhor se adequa ao que tenho andado ultimamente a fazer na horta: tratar o terreno para que as ervas daninhas tenham boas condições de germinação e desenvolvimento.
Passo a explicar: tudo começou há cerca de catorze anos, pouco depois de a minha filha nascer. Apareceu no quintal, no meio dos alhos, uma erva desconhecida para mim. Até achei piada, as folhas eram idênticas às do trevo e mais tarde deu uma flor amarela muito bonita. Verifiquei posteriormente que tinha uns tubérculos subterrâneos minúsculos. Era apenas um exemplar e não dei nenhuma importância à questão. Pois é, aquilo foi apenas o início, ao longo dos anos veio a propagar-se por toda a horta até se chegar à situação atual - uma praga insustentável que compromete todas as culturas. Falei na dita infestante a várias pessoas, vi muitas nos Açores e descobri que é conhecida pelos nomes populares de Azedas, Vinagres e Trevo-Azedo. O nome científico é Oxalis pes-Caprae. Houve quem opinasse que a "semente" original veio através do composto orgânico guano que eu cheguei a usar.
A certeza acerca da melhor forma de resolver o problema é que ainda não a tenho. Já pedi o conselho da Bayer e estou à espera de resposta. Neste momento, a solução que prevalece é a "receita" do meu amigo Zé Carlos que, nestas questões, não há pai para ele, tem sempre um truque na manga. E a receita dele é deixar crescer e aplicar Roundup Ultra, herbicida sistémico de pós-emergência contra infestantes anuais e vivazes, em dose reforçada. Para o efeito, este ano, plantei apenas cerca de um quarto do espaço da horta e no restante estou a "engordar" os ditos vinagres: lavrei convenientemente, dentro da estufa apliquei também uma boa rega, e estou à espera que germinem e cresçam para, quando estiverem no ponto, lhes tratar da saúde. Entretanto, se alguém ler esta mensagem e tiver uma solução agradeço que me diga.

abril 08, 2012

Semear em Lua Nova


Costumo ser cuidadoso com a fase de Lua Nova no que respeita à realização de algumas atividades. Há quem diga que não acredita nessas coisas mas, pela parte que me toca, sou mais humilde. Não percebo a correlação e limito-me a constatar as consequências. Desta vez, na altura de meter mãos à obra, nem tal me passou pela cabeça e, verifico agora, ontem, contra as regras estabelecidas, em fase de Lua Nova, semeei um alfobre com alfaces, várias espécies de couves, aromáticas, etc. Dizem que, depois de passar um sábado pela Lua Nova, já não há grandes consequências mas, neste caso, foi ao quarto dia de Lua Nova, precisamente a um sábado. Vamos lá ver como é que as coisa evoluem.

De volta


Depois de tão longa paragem, estou de volta à escrita.
Ontem, à procura de informações sobre a melhor forma de fazer alfobres, encontrei alguns blogues sobre agricultura de que gostei. Alguns deles, muito interessantes, acabavam por ser uma boa forma de ir tomando apontamentos sobre os trabalhos agrícolas realizados, condicionalismos, preocupações e receios sobre os resultados e depois a constatação, ou não, desses resultados.
Até ver, enquanto o ímpeto durar, com inspiração no que vi, irei continuar este blogue, agora de forma mais ligeira, relatando apenas as pequenas coisas desta pequena parte da minha vida - a horticultura.

maio 26, 2009

Tempo de pausa

Isto de manter um blogue tem os seus altos e baixos.
Assim, sem grandes reflexões acerca do que nos leva a escrever, a parar de escrever, a escrever muito, pouco ou nada tem a ver com a alternância de interesses entre os quais vamos oscilando. Por vezes estamos motivados mas não encontramos um assunto em que achemos que valha a pena pegar. Noutras alturas, deixamos andar e não queremos saber mesmo que haja assunto. Parece ser o caso presente. Há dias deu-me para ir ver mensagens passadas e gostei de rever os pontos de vista que expressei. Espero voltar à escrita; quando estiver menos ocupado e, principalmente, quando a motivação voltar.
Até lá irei rabiscar umas coisas apenas o quanto baste para não me fecharem o tasco.

março 04, 2009

Quem quer ser otário?

As críticas de filmes feitas pelo cidadão comum que se limita a falar do filme que foi ver são, para mim, bem mais válidas e credíveis do que as dos críticos profissionais.
Acabei, mais uma vez, de ter alguns sinais da razoabilidade do meu critério de torcer o nariz aos filmes que conquistam os galardões da praxe. Parece que "Quem quer ser milionário" é apenas um bom filme, "melhor" que uns e "pior" que outros que este ano se estrearam.
Cheguei há muito tempo à conclusão de que, só por mero acaso, um filme muito badalado pela crítica é, de facto, um filme de excepção. Sem pressa de ir ver o dito, estava à espera dos primeiros testemunhos para avaliar o tamanho do barrete que Hollywood, este ano, nos iria enfiar.
Claro que os gostos, também no que respeita a filmes, não se discutem. E um bom filme para os críticos e profissionais da tal sétima arte, profundos conhecedores de tudo o que rodeia o fenómeno, não quer dizer que o seja para mim e para o público em geral. Daí a minha desconfiança sobre os juizos de tais juizes.
Se fosse mauzinho até diria que ganhar os tais óscares não é mais que vencer uma corrida entre os lóbis implicados na promoção dos filmes concorrentes. E o critério artístico conta bem menos que os objectivos comerciais. Um filme apenas razoável, com uma boa máquina de marketing a promovê-lo arrisca-se a "ser o melhor" na óptica de todos os críticos e restantes decisores.
Tudo bem, quem tiver pressa de ir ver essa maravilha que vá para a fila. Cá por mim, também o hei-de ir ver, mas sem pressas, quando calhar...

fevereiro 12, 2009

Há dois anos sem fumar

Após umas dezenas de anos a fumar, estou prestes a completar dois anos desde que acabei por cortar com o vício. Em jeito de reflexão, recordo aqui o início do processo colando a correspondência que então troquei com o parar.net. Trata-se de uma ONG a quem, casualmente, enviei um e-mail quando senti necessidade de contar a minha "façanha" a alguém. Através da pessoa que me respondeu, obtive um feed-back importante que veio a revelar-se precioso nesta luta para deixar o tabaco. Decorridos dois anos, continuo muito satisfeito por ter deixado de fumar e com a auto-estima em alta por ter tido a firmeza de manter a decisão.
Aqui fica o primeiro de entre muitos mails trocados e a respectiva resposta. Deixo também os meus agradecimentos ao Parar.net e em especial à Anne, minha confidente e amiga virtual a quem, por mero acaso, coube em sorte. Sorte minha, acrescento, porque, com a sua sensibilidade e bom senso, soube dar-me o feed-back adequado que me ajudou neste propósito.

On 2/17/07, Zé Ruela wrote:
Olá,
Numa pesquisa na net encontrei o vosso site.
Tenho uma vida plena de actividade física, relacionada com o ar livre e o desporto. Tenho saúde e sempre me senti bem e, até ao momento, ainda não me apercebi dos efeitos nefastos do tabaco, a não ser o odor e o paladar menos apurados . Mas, toda a gente diz e concordo, o tabaco está a mais na minha vida e não condiz, em nada, com o meu estilo de vida.
De acordo com o teste da vossa página sou um fumador fortemente dependente.
Parei de fumar há 3 dias, após vária tentativas fracassadas. Dentro de poucas horas entrarei no meu 4º dia sem fumo (zero cigarros). A moral e a motivação estão fortes e sinto-me firmemente decidido a continuar esta luta e vencer a dependência. A minha ajuda está a ser um penso de nicotina diário. Estou tão optimista e decidido que, por vezes, coloco a hipótese de deixar a muleta da nicotina e continuar a luta sozinho, sem rede, mas não me atrevo a deixar a única ajuda que tenho.
Li tudo o que encontrei sobre estratégias para deixar de fumar e, em quase todas, figurava o único item, que não respeitei - pedir a juda de familiares e amigos.
Ainda ninguém se apercebeu, nem familiares nem amigos, que parei de fumar há quase quatro dias. E tb não informei ningém do facto além da info@parar.net a quem estou, neste momento, a dar a notícia. Para os familiares também não era fácil aperceberem-se porque não fumo dentro de casa nem no carro e muito raramente à frente de qq familiar. Não me parece pertinente esta dica de pedir o apoio de familiares e amigos e explico porquê: Esta luta é tão difícil que tem de ser forçosamente uma luta individual; se não o fazemos por nós próprios não me parece que o façamos seja por quem for. Corrijam-me se acharem que estou errado acerca desta questão.
Desde já, muito obrigado pelo vosso papel de confidentes anónimos.
Um candidato a ex-fumador.


Resposta do parar.net:

Prezado Zé,
Obrigado pelo teu email.
No teu caso particular, não nos parece estranho não partilhares essa tua decisão com familiares ou amigos. Pareces mesmo decidido e mais do que qualquer outro apoio, a própria força de vontade é o melhor auxiliar.
Cremos que com essa força de vontade e com o teu estilo de vida (muito desporto e o hábito de não fumar na presença de outras pessoas ou em lugares fechados) vais ser capaz de o deixar.
Muitas vezes o tabaco está associado aos momentos de partilha com amigos e familiares e aí precisamos deles para nos ajudar a deixar o vício. Não é o teu caso.
Desejamos-te muita sorte e damos-te os parabéns pela tua decisão e força de vontade!

Uma boa semana!

A equipa do parar.net

janeiro 24, 2009

Fora o árbitro

Nos primórdios do futebol, o árbitro era escolhido de entre a assistência, na hora de iniciar a partida. O jogo e as suas exigências evoluiram e agora, de tempos a tempos, em nome do rigor, fala-se em usar as novas tecnologias como meios auxiliares da arbitragem. Desta vez é o Braga que, descontente com os erros que alegadamente o prejudicaram, vem à carga com o assunto.
Na minha opinião, o recurso a instrumentos de observação que diminuam a componente humana, subjectiva, irá empobrecer o fenómeno futebolístico em vez de o enriquecer.
A paixão pelo futebol deriva de vários factores, quase todos imponderáveis e aleatórios que nada têm a ver com o rigor e a objectividade que se pretende introduzir. Em primeiro lugar, a inclinação por um emblema surge, quando surge, para dar resposta à necessidade de afirmarmos a nossa identidade individual e, por outro lado, porque o nosso ser social precisa que nos sintamos pertença de um grupo.
Para optarmos por um ou outro clube, serve perfeitamente a razão que, no momento da escolha, estiver mais à mão. Seja por motivos geográficas, afectivos, familiares ou por identificação com os vencedores, a verdade é que a escolha é feita de ânimo leve, por mero acaso sem qualquer racionalidade. Mas, depois de decidirmos qual é o nosso clube, ele passa a ser especial.
A força da paixão pelo futebol, para lá do espectáculo proporcionado pelo desempenho dos jogadores, reside na incerteza de um resultado aleatório, fruto de um conjunto de acções: a bola que entra, passa ao lado ou vai ao poste, o guarda-redes que defende "in extremis" ou deixa entrar uma bola fácil, o atacante que falha escandalosamente, o penalti que o árbitro não viu ou que só ele viu, o golo em que a bola não entrou, o golo bem ou mal anulado pelo árbitro...
Claro que todos nós somos a favor da verdade, mais ainda quando ela nos favorece. E somos contra a mentira, ainda com mais veemência quando ela nos prejudica.
Em nome da paixão que rodeia este fenómeno desportivo deixemos os homens errar com honestidade e boa fé pois, na vida e no futebol, no imediato, parece não haver justiça mas, no final, ela será feita.

janeiro 10, 2009

Palhaçadas

Notícias de corrupção, roubos e fraudes de todo o tipo, continuam, quase todos os dias, a ensombrar, cada vez mais, o já triste panorama do nosso país.
No público ou no privado, na política, na economia ou na justiça, a honestidade, a ética e a moral andam frequentemente arredadas dos exemplos que vêm de cima.
Esta semana soubemos que a Justiça, bem ou mal, resolveu entregar definitivamente a guarda da criança da Sertã ao pai biológico. Uma guerra que parecia interminável teve um desfecho imediato logo que o caso foi levado ao Tribunal Europeu.
Terá sido coincidência? Não me parece. E nem foi preciso o tal tribunal pronunciar-se para perderem todo o seu peso os argumentos até aqui invocados para protelar a decisão, no badalado "superior interesse da criança". Depreende-se que bem mais importante que o interesse da criança é o risco de os decisores ficarem mal na fotografia à luz dos critérios do dito tribunal.
Também esta semana, mais um caso na Assembleia da República. Foi repetida a votação sobre a suspensão do modelo de avaliação dos professores. O senhor Manuel Alegre esclareceu antecipadamente que, desta vez, iria votar contra a proposta para não ajudar a "salvar a face do PSD". Há umas semanas, juntamente com mais alguns deputados do seu partido, votou a favor, agora, sem que nada se tivesse alterado, votou contra.
Ou seja, para ele, era secundário se a medida em causa era correcta ou incorrecta. Que consequências iria ter para os visados ou para a Educação deste país também não contava. Podemos concluir que, mais importante que a justeza de uma lei, são as negociatas, as birras pessoais e o jogo partidário.
Com exemplos destes, dados pela nossa justiça e por um "arauto da liberdade", figura ilustre do nosso panorama político e cultural, ex-candidato a presidente da República, as coisas só podem piorar.

dezembro 06, 2008

Intuição feminina


Acabei de ter um sinal revelador de que a intuição feminina é mesmo uma especialidade do género em causa.
Quando a minha mulher me perguntou se queria acompanhá-la às compras, a minha filha, ao ver-me à procura de uma boa desculpa para me esquivar, veio em meu socorro dizendo:
- Oh pai, ela só quer o cartão multibanco, mais nada.
- Ah pois, aqui está.
E não é que ela tinha razão?
Ainda estou de boca aberta a pensar na clarividência e rapidez de raciocínio de uma menina de dez anos que viu mais longe e mais depressa do que eu com toda a minha experiência e intuição de que costumo orgulhar-me.

dezembro 02, 2008

Przednówek

A propósito do tempo frio e da terra coberta de neve fiquei a saber, através de uma colega polaca, que no seu país existe uma palavra, przednówek, que designa o período mais ou menos longo que se situa por volta de Janeiro, Fevereiro e Março - desde que começam a escassear os víveres da última colheita até ao final da invernia que não permite retirar da terra seja o que for.
Entre nós, temos um provébio que diz: "do cerejo ao castanho bem eu me amanho, do castanho ao cerejo, mal me vejo". Ou seja, de Junho a Novembro, está tudo bem, mas daí até Junho as coisas piam mais fino.
Eu achava que este provérbio era pouco mais que folclore e não tinha consciência da real dimensão do problema. Inclusivamente, quando a minha filha estava para nascer, a minha sogra disse - Oxalá que não nasça em Março! Eu, à luz da realidade actual, achei um perfeito disparate o seu desabafo. Mas ela lá tinha as suas convicções para achar que uma criança nascida em Março não tinha grandes hipóteses de sobreviver. A história tinha-lhe transmitido esta sabedoria que, embora desactualizada, tinha a sua justificação.
De facto, quando se dependia das colheitas próprias, sempre incertas, o período em causa poderia tornar-se um verdadeiro pesadelo.
O mundo actual, verdadeira aldeia global com fluxos constantes de bens de consumo em todas as direcções, faz-nos esquecer tempos terríveis nada longínquos.
Neste particular, a Polónia, com invernos longos e rigorosos e uma história repleta de ocupações e anexações por outros paises cujos governos, na qualidade de ocupantes não primariam pela solidariedade para com os vencidos, o przednówek era um período negro com a fome a fazer verdadeiras razias na população.

novembro 16, 2008

Alguém me diz o que é isto?

Costuma-se dizer que nada aparece por acaso e quando nos deparamos com um determinado cenário, por mais estranho que nos pareça, normalmente descobrimos o seu objectivo ou intencionalidade. Não se passou assim neste caso.
Há já uns meses, num local público, nas imediações de uma estação de serviço, na fronteira, do lado espanhol, deparei-me com a situação que as fotos documentam: uns atilhos grosseiros emendados, formados por uma fita de prender cargas e um fio eléctrico, presos no alto de um ramo de choupo e, suspensos da outra ponta, um pequeno tronco, um bloco de cimento e outro de granito. Estas três peças suspensas, por sua vez, estavam também presas ao extremo do banco de granito, como se vê na foto, desviados da vertical em cerca de 20 graus. Perante tal achado, por mais voltas que desse à cabeça, tal como hoje, não enxerguei qualquer relação causa/efeito, objectivo ou intenção. A curiosidade levou-me a fotografar a cena. Decorridos vários meses, quando, como agora, por associação de ideias, o assunto volta à baila, continua a intrigar-me como um puzle sem solução.

novembro 12, 2008

Ataraxia

Já conhecia a sensação mas, antes do comentário do meu amigo Aix, nem sabia que existia uma palavra chamada ataraxia e muito menos que se tratava de uma corrente filosófica relacionada com a postura emocional.
O referido comentário pôs-me a reflectir sobre algumas mudanças na qualidade de vida, para melhor, relacionadas com práticas mais saudáveis.
E posso testemunhar, com a minha vivência, aquilo que o FCarvalho diz acerca da obtenção da ataraxia. Libertarmo-nos do vício do tabaco, substituir o automóvel pela bicicleta, cultivar os nossos legumes, fazer compostagem do lixo orgânico, sermos amigos do ambiente e termos comportamentos consentâneos com aquilo em que acreditamos são apenas aspectos parcelares do nosso dia a dia que contribuem para o bem-estar e nos fazem sentir mais calmos e serenos, com a auto-estima em alta e com a sensação de controlo sobre as nossas vidas, resumindo, contribuem para a ataraxia.

outubro 22, 2008

De bicicleta

Estou prestes a completar a segunda semana desde que passei a usar a bicicleta para me deslocar de casa para o local de trabalho. A distância não chega a 10 km para cada lado e demora uns 25 minutos na ida e 30 no regresso.
Para já estou muito satisfeito com a experiência que, em princípio, será para continuar, pois, até ver, é só vantagens. Até já comprei um impermeável que tenho transportado em vão visto que ainda não apanhei chuva que se visse.
Há anos que eu e o meu caro colega Z.P. falamos em começar a viajar desta forma mas, com a desculpa da falta de segurança, do excesso de trânsito, estradas estreitas, falta de civismo dos condutores, temos vindo sistematicamente a protelar esta decisão.
Este ano, ao equacionar de novo a possibilidade, pensei no horário certinho a começar sempre às 8:30 da manhã, combustíveis em alta, falta de tempo para ir ao ginásio, a anunciada crise, o impacto da queima de combustíveis fósseis na minha bolsa e no ambiente, o meu novo estatuto de ex-fumador, etc e conclui que estavam reunidas as condições para pôr o projecto em marcha. Terminado o período experimental, concluo que tem sido uma óptima experiência e, para já, não tenho sentido nenhuma das dificuldades de que estava à espera. Viajo sozinho pois o meu colega Z.P. ainda continua à espera que a motivação chegue mas, pelo que vejo, há já mais gente a equacionar a mesma possibilidade, pelo menos o L.M. ontem disse-me: - Eh pá, de minha casa aqui são 14,4 km!

agosto 12, 2008

"Sala" de fumo


Hoje deparei com o local que a foto documenta. À porta de um pequeno café no Nordeste transmontano, o dono teve a simpatia de "mobilar" e decorar o espaço de acordo com o fim a que se destina. Os fumadores agradecem, acho eu.

julho 04, 2008

Tempo de paragem


Há quase um mês sem escrever no blogue, dou por mim a pensar: porquê? E chego à conclusão que isso tem a ver com o actual estado de espírito. E o estado de espírito até não tem nada de especial. A vida em geral, a nível profissional e familiar (mulher e filhos), vai de vento em popa, bem melhor do que mereço. Esta apatia que se instalou no que respeita à escrita será um caso cíclico pelo qual, de vez em quando, penso eu, todos passamos. O que originou esta desmotivação, neste caso, tem a ver apenas com um facto concreto - alguém próximo que prezo e estimo desiludiu-me profundamente. Sabemos antecipadamente que as pessoas não páram de nos desiludir mas, quando isso acontece, nunca estamos preparados para encarar o facto. E o resultado é, de forma reflexa, fecharmo-nos na nossa concha, ficarmos mais azedos e desconfiados e reduzir ao mínimo a interacção com os outros. Não sei ainda se se trata de uma paragem ou do fim do percurso. O tempo o dirá. Somos uns bichos muito complicados e reagimos à situações de acordo com a nossa maneira de ser.

junho 06, 2008

Fuga do manicómio


Àmanhã vou, por quatro dias, acompanhar um grupo aos Picos da Europa. É trabalho mas trata-se de uma tarefa muito agradável. Mais ainda, na actual conjuntura, por ter a oportunidade de sair deste manicómio em que estamos transformados por causa do campeonato europeu. Sou um homem do desporto, por gosto e por profissão mas isto é demais. Durante a tarde, no supermercado, a selecção e as respectivas cores tomaram conta de tudo e eram o pretexto e o denominador comum para vender fosse o que fosse desde televisores a cerveja, flocos de cereais, carne e mais não sei o quê. Há bocadinho estava a tomar café quando, no telejornal, da TVI salvo erro, começam a ameaçar que iam, de seguida, falar sobre a "moça de dezassete anos" que o Sr Scolari conheceu há muito tempo. Ainda consegui emborcar rapidamente o café e vir embora antes da dita "notícia".
Se o ridículo matasse...
Mas o mais grave no meio disto tudo é as pessoas acreditarem mesmo que a selecção nacional é favorita aos lugares cimeiros da competição. Parece que esqueceram os resultados recentes e a forma sofrida como, num grupo de apuramento fraquíssimo, se arrastou penosamente para conseguir ir à fase final.
Será a crise que atravessamos que nos faz baixar a auto-estima e nos deixa tão carentes e sem outros factores de realização pessoal?
Perdoai-lhes, Senhor!

maio 30, 2008

Rega gota a gota

Após dois anos de pausa, voltei a adoptar o sistema de rega gota a gota.
Este sistema é quase só vantagens: Evita o efeito de lixiviação da terra e a consequente perda de nutrientes; fornece à planta a quantidade de água de que necessita sem necessidade de recurso a mecanismos biológicos de adaptação ao meio; e também, não menos importante, pela poupança de água, imperativo económico e ecológico. Para não falar na facilidade de não ter que fazer mais nada que não seja abrir a(s) torneira(s). Ainda não senti necessidade mas até posso instalar um temporizador com programa de rega e aí... fico com uma horta inteligente.
Depois de montado, o que é muito rápido e barato, a única desvantagem é a facilidade com que os tubos entopem por a água do furo ser bastante barrenta.
O sistema que usava era de montagem mais difícil e não permitia que as diferentes culturas fossem contempladas com a quantidade de água de que necessitavam. O sistema era de tudo ou nada, ou seja, regar ou não regar. Era um bocado difícil conciliar a rega dos tomateiros que requerem pouca água, das alfaces, que querem toda a que se lhe der ou das couves, que não gostam das regas à tarde. Então, como se pode ver na foto, em cada derivação instalei uma pequena torneira que permite fazer regas selectivas.
Posso regar directamente da torneira (água do furo) mas resolvi instalar um reservatório com bóia que fecha a torneira de enchimento. É mais seguro porque, se houver uma ruptura, a perda de água será apenas a que houver no depósito.