maio 19, 2008

Justo perdedor

Não sei se o Sporting foi um justo vencedor da Taça de Portugal mas não tenho dúvidas que o FCP foi um justo perdedor. Um clube que, por pressões externas, em nome não sei de quê, deixa de fora um jogador importante como é Bosingwa, merece a derrota seja qual for o adversário e a competição. Não faço ideia das negociatas que estiveram por trás da decisão de não deixar um jogador terminar a época no seu clube. Li que os milhões falaram mais alto mas não entendo como um clube comprador pode exigir que um jogador deixe de participar num jogo importante do ainda seu clube e, menos ainda, que o clube vendedor se acanhe e aceite estas condições. Não estou habituado a ver o presidente dos dragões a fazer papel de morcão mas, neste caso, não vejo outra classificação.
Claro que temos que ser práticos e aproveitar as ocasiões mas...

maio 16, 2008

O método simples para deixar de fumar

Ultrapassado este período que não foi negro mas não desejo ver repetido, aqui estou de novo, de lápis afiado, pronto a voltar à escrita.
Ontem vi à venda o livro de Allen Carr - "O método simples para deixar de fumar". Comprei-o para satisfazer a curiosidade acerca do dito depois de ouvir elogios e de saber que algumas pessoas deixaram de fumar depois de o terem lido.
Não o achei nenhuma obra de arte mas li num ápice as mais de duzentas páginas. Não sei se a maioria das pessoas teria motivação para o ler com a mesma sofreguidão mas, pela parte que me toca, com a fé de um cristão novo, ex-fumador desde há pouco, chamei-lhe um figo. Além disso, em vários aspectos, gostei de ver o percurso e a abordagem do autor, coincidentes quase ponto por ponto com o meu próprio percurso e com as conclusões a que fui chegando depois de, como ele, ter acumulado mais de trinta anos de fumo.
Acredito na eficácia do método que o autor propõe, mas houve um aspecto da exposição que me desagradou e me deixou de pé atrás. Aprecio a frontalidade e não gosto nada de ser enganado mesmo que isso seja feito com intuitos pedagógicos. Concretizando: logo no 2º parágrafo diz que não vai falar dos terríveis riscos para a saúde que os fumadores correm nem da fortuna que gastam. Afinal, do princípio ao fim, ainda que de forma indirecta, repete incessantemente esses mesmos argumentos.
De qualquer forma a leitura de livro trouxe-me algum conforto ao transmitir-me uma atitude mental mais consistente, mais optimista e sobretudo mais defensiva relativamente a (im)possíveis recaídas futuras.

abril 15, 2008

Já fui repreendido pelo meu amigo e leitor “el bianês” que não tolera mais esta falha de produção. Tenho estado com muito trabalho e com alguma dificuldade em dar conta do recado em todas as frentes. E, nestas circunstâncias, é o blogue que fica para trás. Espero, em breve, voltar à serenidade habitual e retomar a escrita.

abril 01, 2008

Lição de Biologia para biólogos

Estava a curtir um período de menor pujança na actualização do blogue quando o meu amigo Xo_oX veio desafiar-me, questionando-me sobre a hora a que rego as alfaces e os tomates.
Com quem ele se foi meter! E logo no que respeita aos tomates e às alfaces pois, não é para me gabar, mas costumo ter, de ambos, os melhores cá do sítio.
Então, fica a saber que não viro a cara à luta e vou esgrimir argumentos contigo no teu próprio terreno, salvo seja.
A rega deve ser sempre de manhã por várias ordens de motivos e cuja preponderância é diferente, de acordo com a estação e a temperatura. Fica sabendo que as plantas precisam, para a reprodução celular, vulgo crescer e amadurecer, o mesmo que nós, nutrientes, energia e água. Deves regar de manhã porque:
- No tempo mais frio, ao regar no final do dia correrias o risco de a água fria as privar do calor/energia que acumularam e de que precisam para o seu crescimento/desenvolvimento. As pessoas de Brunhoso já descobriram isso há muito tempo e as leiras mais delicadas, no tempo frio, eram regadas, de manhã, com água amornecida, ligeiramente quebrada da friura, como se dizia. Deves então regar de manhã quando a planta ainda está fria e a perda de energia é desprezível.
- Com tempo quente, deves igualmente regar de manhã para evitares o choque térmico que aconteceria se deitasses água fria quando a planta está quente. Nenhuma planta gosta destas mudanças bruscas e algumas, nomeadamente as couves, reagem a este tratamento e ganham a chamada potra com formação de tubérculos nas raízes.
Nos últimos anos tenho usado a rega gota a gota que, além de outras vantagens, em virtude da pequena quantidade de água que vai sendo debitada, minora grandemente os inconvenientes citados.
E só para completar a informação, as alfaces rego-as frequentemente, os tomates rego-os com muito pouca frequência. E, já agora, as alfaces são dos poucos vegetais que gostam de água na folha. Os tomates, como a maioria dos restantes, querem-na apenas no pé e as folhas nunca devem ser molhadas, senão tens o míldio à pega.
Mais alguma coisa? É só pedir.

março 30, 2008

Motivação

Quando deixamos de nos dedicar ao blogue com a regularidade do costume dizemos que andamos sem disposição, muito ocupados, sem ideias, com muita preguiça, sem cabeça para escrever... enfim, as desculpas que estiverem mais à mão, às vezes até dizemos que o computador esteve com problemas. Mas serão verdadeiras essas desculpas? Claro que sim mas a verdadeira razão do nosso afastamento é, quanto a mim, termos encontrado algo que, ainda que por algum tempo, nos dá mais satisfação que a escrita do blogue. Como diria o principezinho de Saint Éxupéry, encontrámos outra flor a quem dedicar o nosso afecto.
No meu caso, este afastamento temporário, espero, deve-se a outras urgências relacionadas com a agricultura e a jardinagem. E tem sido, de facto, um prazer viver esta época de lavrar, plantar, semear, podar...
E, nesse contexto, o blogue vai ficando para trás.

março 24, 2008

Noite de Páscoa

Desde há vários anos que a noite de Páscoa, em virtude da proximidade dos sinos da Igreja, a tocar desde a meia noite, tem sido passada em branco ou quase.
Há uns anos, à procura de sossego, resolvi mudar o local da pernoita. Não resultou porque, em vez do sino, apanhei com um cão que não se ficou em nada atrás dos sinos e fez questão de ladrar toda a noite. Desisti de mudar e acabei por me sujeitar à fatalidade do destino. Este sábado, uma vez mais, já conformado com a perspectiva habitual, deitei-me, como de costume, com a leve esperança de os tocadores de sino se cansarem e acabarem por dar algum sossego. E foi o que aconteceu ou, pelo menos era o que eu pensava. Dormi o sono dos justos. Tive uma leve sensação de ter ouvido os sinos mas, arrumei o toque no sonho e nem chegou a acabar de me acordar.
De manhã levantei-me a gabar-me da minha capacidade de adaptação e da forma como deixei de ouvir os ditos e dormi toda a noite sem dar pela sua presença.
Foi aí que me deram a notícia que todos sabiam, excepto eu, o sino tinha caído do campanário pouco depois dos primeiros repiques e quase não houvera toque.

março 19, 2008

Crime de lesa-pátria

Hoje, no Gerês, ao apreciar mais uma casa abandonada à sua sorte, voltei a lamentar este verdadeiro crime de lesa-pátria de desprezar um bem precioso e escasso como são as inúmeras casas espalhadas pelo Parque Nacional Peneda Gerês.
Aquela que a foto documenta situa-se num local paradisíaco em plena Mata de Albergaria, nas proximidades de Portela do Homem. É apenas uma entre as inúmeras que por lá se encontram, umas em muito bom estado, outras já totalmente arruinadas. Ainda lá estão, entregues à sua sorte, cada vez mais degradadas pelas intempéries, pelo abandono, pela falta de manutenção, sem utilidade para ninguém e para mágoa de todos. São património do Estado, de todos nós mas, não sei porquê, o desmazelo dos governos sucessivos teimam, neste particular, em não governar e permitir este autêntico atentado à nossa economia, à nossa cultura e, diria mesmo, à nossa sanidade mental.
O assunto é recorrente e, de tempos a tempos, fala-se em as entregar a entidades, públicas ou privadas, que as possam manter/recuperar e rentabilizar mas, na hora H, a coisa falha por mais um pormenor inventado mesmo a tempo de deixar que tudo volte à estaca zero.
Até quando?