março 14, 2008
É a etiqueta, estúpido!
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Modas
março 11, 2008
A vida está difícil
Pois é, a vida está difícil. Vi no telejornal que os cabecilhas dos maiores bancos da nossa praça se reuniram para lamentarem quão difícil a vida está. Ou não seria para isso? Não cheguei a perceber para que foi a reunião. Mas até me deu pena o ar pesaroso dos senhores, a dizerem quanto lamentavam ter de aumentar o spread porque a conjuntura está com falta de liquidez. Mas aquilo não me cheirou bem. Não parece ser um acerto de estratégias entre eles para fixarem artificialmente as margens de lucro? E isso não é crime? Isto sou eu a divagar e, se calhar, estou enganado porque os senhores das televisões não disseram nada sobre o assunto e até pareciam solidários com a pouca sorte dos bancos. Mas não há nenhum problema pois, em conjunto, em verdadeiro trabalho de equipa, já encontraram a solução: tiram a camisa a quem pedir dinheiro emprestado, perdão, sobem-lhes um pouco aos juros. Ora, aí está uma medida acertada - já todos sabemos que, perdido por cem ou perdido por mil, é igual... E, além disso, por todos não custa nada ajudar. E assim temos a alegria de ver esses senhores felizes e contentes a aumentar escandalosamente os seus lucros.
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Bancos
março 10, 2008
(Des)acordo ortográfico
"No mundo nom me sei parelha,mentre me for' como me vai,
ca ja moiro por vos - e ai,
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi em saia!
Mao dia que me levantei, que vos enton nom vi fea! "
Alguém percebeu alguma coisa do textinho acima? No entanto é português. Arcaico mas português. E vem provar que a língua evolui.
Cavaco Silva foi ao Brasil e na bagagem levou o novo acordo ortográfico que o governo acabou de aprovar. Mas, pelas reacções que tenho observado, parece que a generalidade das pessoas está em desacordo sobre este acordo. Não sou linguista e limito-me a reflectir esta questão com os dados que a vida me foi ensinando.
Parece que o argumento dos que estão contra é dizer – Não senhor, eu quero continuar a escrever da forma correcta; foi assim que aprendi, assim é que está certo e não me obriguem a escrever de forma errada.
Outros argumentam que ao fazer este acordo nos estamos a vergar aos brasileiros. Não entendo assim. Estamos a respeitar apenas a evolução da nossa língua. E se essa evolução aconteceu no Brasil, mais do que em Portugal, isso dever-se-á ao facto de lá existirem mais factores de evolução em consequência do maior número de falantes, oriundos de todo o planeta.
Ora vamos lá pensar um pouco e ver se conseguimos enxergar mais longe que o nosso umbigo. Se aceitarmos o facto indesmentível de a língua ser dinâmica e evoluir com o tempo, não podemos fechar os olhos e dizer que não concordamos. Ora, se a língua muda e a grafia se mantém, corre-se o risco de a ortografia se afastar da fonética e, assim, criarmos dificuldades desnecessárias. O acordo ortográfico é, não só um acordo entre os falantes, como um acordo entre a fonética e a grafia. Quanto maior for a semelhança entre a linguagem falada e a sua representação gráfica (escrita) mais fácil será para todos. Então vamos lá facilitar a vida aos mais novos que estão ainda a aprender e retirar as letras que não se lêem e só lá estão para enfeitar e confundir mesmo que para tal tenhamos que ganhar novos hábitos.
A questão não me parece ser se estamos ou não de acordo com o acordo. Penso que a maioria das pessoas que diz discordar, está apenas a manifestar o seu desconforto de ter de se adaptar a uma nova forma de escrever diferente da que aprendeu e sempre utilizou.
Mas tinha que ser já? Não tinha de ser já mas quanto mais depressa se fizer mais fácil porque haverá menos mudanças.
Enjeitar a oportunidade de fazer este acordo seria mau por todos os motivos, nomeadamente económicos. Seria o início do fim da comunidade de língua portuguesa se a grande comunidade de falantes do português não se entendesse e cada um dos países tomasse um rumo de evolução próprio.
O latim manteve-se inalterado e assim continua, só é pena ser uma língua morta.
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patriotismos
março 09, 2008
Bacalhau à minha moda
Hoje, seguindo o exemplo de outros ilustres frequentadores do fórum de Brunhoso deixei lá uma receita de bacalhau que achei por bem partilhar com os meus leitores. Partilhar a receita, já que, aqui na net, até ver, a partilha ainda não é extensiva ao bacalhau. Então aqui fica a mensagem que lá deixei:
Já que os homens aproveitaram o dia internacional da mulher para sair do armário e assumirem finalmente quem é que cozinha lá em casa, vou aproveitar a deixa e sair também do meu armário. E vou fazê-lo, ou tentar, da mesma forma airosa dos meus ilustres colegas utilizando o truque da receita.
O prato que aqui apresento é do mais simples que há mas, ao mesmo tempo, do melhor que conheço.
Ingredientes para 4 pessoas:
- 4 postas de bacalhau demolhado
- Batatas pequenas q.b.
- Uma cabeça de alho
- Entre meio quartilho e meio litro de azeite de Brunhoso (o azeite da zona que confina com o Rio Sabor é semelhante ao de Brunhoso e também pode ser usado neste prato).
Colocar numa assadeira de ir ao forno, as batatas com a casca, o bacalhau e o alho (esmagados); regar abundantemente com azeite e levar ao forno por uma hora. É para cozinhar em azeite, como tal deve levar bastante, mais de meio quartilho. O que sobrar pode-se guardar e usar posteriormente noutros pratos.
O ideal é cozinhar no forno mas, quem tiver pressa pode cozer previamente as batatas e quem estiver mesmo com muita pressa, neste caso demorará uns 25 minutos, além de cozer primeiro as batatas, pode usar o micro-ondas.
Enfim desculpem os truques de um cozinheiro já corrompido pela civilização industrial mas, com a falta de tempo, o micro-ondas, é uma modernice muito útil e o paladar do bacalhau acaba por nem se queixar.
Experimentei hoje esta receita e posso adiantar que, uma vez mais, fez as delícias dos contemplados. Não é para me gabar mas o meu amigo Américo, apreciador de boa comida, perguntou-me uma vez:
- Como é que chamas àquele prato de bacalhau cujo sabor, depois deste tempo todo, ainda tenho na boca?
Elucidativo, este comentário do Américo.
Bom apetite.
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comes
março 07, 2008
Gosto desta foto
Esta foto foi tirada no Gerês no sábado passado(01.03.08) pelo meu amigo André Ramalho. Vê-se apenas o perfil da pessoa retratada que não sei bem quem é mas desconfio que o meu amigo Gaspar sabe.
Gosto desta foto porque sim. Mas também pela sua simplicidade e pela mensagem implícita de forte ligação e interdependência entre o homem e a natureza. As formas e tons da figura humana e da natureza fundem-se, confundem-se e continuam-se com equilíbrio e harmonia...
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Fotos
março 05, 2008
Champanhe para crianças
Hoje fui com a minha filha fazer as compras para a sua festa de aniversário. Ela lá sabia o que se compra – as guloseimas de todas as formas e feitios, os refrigerantes, os pratos, copos e guardanapos da Barbie... etc. E chegou a vez de a ouvir:- Falta só o champanhe.
- Como?
- O champanhe para crianças.
- Mas as crianças também bebem champanhe?
- Não é bem champanhe. É só a fazer de conta.
- Vamos lá ver isso mas desconfio que não vais ter direito a nada.
- Oh pai, mas todas as festas dos meus colegas tiveram champanhe!
Levou-me ao sítio do dito e lá estava a tradicional garrafa de champanhe de 75 cl, marca Rik & Rok, e lá dentro “sumo de maçã gaseificado”, custo 1.89€.
- Nem penses, não vamos levar o champanhe.
- PORQUÊ?
E eu expliquei-lhe. Comprar as guloseimas para partilhar com os amigos, tudo bem; comprar as coisas da Barbie muito mais caras que outras iguais mas sem a tal etiqueta, enfim, é festa. Agora tentarem vender-nos sumo de maçã a 2,5€/L, a fazer de conta que é champanhe… isso já é gozar com a nossa cara. E não quero saber se todos os teus amigos compraram ou deixaram de comprar. Em compensação podes gastar naquilo que quiseres o que iríamos gastar no champanhe.
Aquiesceu sem mais fitas.
Quando vínhamos a caminho de casa, a propósito não sei de quê, ouço-a dizer:
- Pai, não sei porquê mas tu és o único adulto que eu admiro.
- Hein?
Fiz de conta que não levei a sério mas fiquei todo babado e a pensar se não terei sido mauzinho ao recusar-lhe o champanhe.
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Devaneios
março 04, 2008
Tanto durmo como faço
Diz o provérbio que em Março tanto durmo como faço. No meu caso não está a ser verdade e acho que vou reclamar pois ando a trabalhar bem mais do que durmo. E tanto assim é que não tem sobrado sequer tempo para actualizar o blogue. Prometo que, em breve, logo que esta fase seja ultrapassada, voltarei à regularidade habitual (regularidade na escrita e não no trabalho, está bom de ver).Geralmente a ausência de escrita é devida à falta de ideias para encontrar assunto que me motive mas, ultimamente, não tenho tido sequer serenidade suficiente para agarrar as ideias que vão surgindo e menos ainda para as trabalhar.
E por falar em ideias, realço que elas são necessárias para tudo. Ontem disse à minha filha (nove anos) que não precisava de se levantar tão cedo. Resposta pronta:
- Como estava sem ideias para continuar a sonhar, resolvi levantar-me.
Outra dela e das ideias, ocorrida há já uns dois anos:
- Pai, quando se nos acabarem as ideias sobre locais para férias vamos voltar a este sítio, está bem?
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divagações
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