fevereiro 23, 2008

Sabe-me dizer, por favor…?

Hoje, ao levar a minha filha a uma festa de aniversário, à procura da rua da Estrela, pude constatar, mais uma vez, o quanto as pessoas gostam de ser prestáveis mesmo sem condições para tal. Quando se pede uma informação acerca de um endereço, se a pessoa souber, diz-nos. Claro que, frequentemente, o excesso de detalhes acaba por baralhar de tal forma que torna inútil a informação. Mas a maior dificuldade é quando perguntamos a quem não sabe mas, mesmo assim, insiste em mostrar os seus conhecimentos acerca de outras ruas ou justificar porque não sabe. Foi o que me aconteceu hoje; perguntei ao caixa do supermercado, enquanto me fazia o troco; ele não sabia mas tinha pena e insistiu em dar-me uma lição sobre a geografia da zona. Tive que lhe pedir para me dar o troco para eu poder ir perguntar a quem soubesse. Ficou desconcertado com o meu pedido.
Finalmente, quando encontrei, o dono da casa perguntou-me:
- É fácil de encontrar, não é?
- Para quem souber é fácil.

fevereiro 22, 2008

Tempo de reflexão

Desde que retomei a escrita deste blogue, no final de 2007, tenho mantido uma produção bastante regular. Até eu próprio me admiro com a quantidade de coisas que aqui fui escrevendo.
Já referi, há dias, que estava a fazer um esforço no sentido de fazer o blogue ganhar algum lanço e esperar que, com o tempo, fosse ele a puxar por mim. Isso não está a acontecer. Eu estou a puxar por ele mas ele continua a não puxar por mim.
Por um lado, é esta a avaliação que faço nesta altura, “ as coisas vulgares da vida de todos os dias” sobre as quais tenho escrito, de forma bem assumida desde o início, terão um interesse muito discutível. Por outro lado, não estando à espera de um milagre que fizesse surgir uma obra-prima, tinha alguma esperança de fazer surgir alguma discussão acerca dos temas aqui abordados. Como, até agora, tal não foi conseguido, deixarei de manter a regularidade anterior e passarei a escrever de vez em quando, usando apenas a inspiração (se ela surgir) e deixarei de lado a transpiração.

fevereiro 19, 2008

Regresso ao tabaco

O vício do tabaco é, de facto, um condicionamento muito forte e para toda a vida. Não reagimos todos da mesma forma mas, pelo que tenho constatado, mesmo após longos períodos de abstinência, o tabaco continua sempre presente na nossa cabeça. Não há dúvida nenhuma que se trata de um hábito incomparavelmente mais fácil de adquirir do que de perder.
Há quase um ano, quando eu estava apenas com quinze dias de abstinência, o meu amigo H. B., estava sem fumar havia quinze meses. Com a sua pedagogia de desvalorizar os meus quinze dias, espicaçou a minha motivação. A partir daí, a minha tentativa para parar, à medida que se estendia no tempo, foi ganhando o respeito dele e deixou de ser motivo de gozo.
Agora que ele estava já, desde há 27 meses sem fumar, as contingências da vida levaram-no a voltar a experimentar. Começou por fumar um cigarro em dias mais complicados; passou a fumar também em alturas mais conturbadas e depois nos momentos de stress que, infelizmente, têm sido muitos. Agora, ao que parece, está a começar a entrar na rotina de fumar porque sim.
Meu caro H.B., fico a torcer para que tenhas a serenidade suficiente para pensar e decidir o teu rumo antes de te deixares embalar pela onda que te está a arrastar.

fevereiro 17, 2008

Portugueses e portuguesas!

Passei os últimos dias a ouvir intervenções públicas e a irritar-me, de vez em quando, com a forma de alguns oradores se dirigirem ao auditório discriminando o masculino e o feminino dizendo, por exemplo - meus senhores e minhas senhoras!
Faz parte das regras dirigirmo-nos a um grupo usando a forma masculina para englobar todos (os senhores e as senhoras, caros e caras, amigos e amigas...).
Mesmo que haja apenas um senhor no auditório, diz a regra que se use a forma masculina.
Não consigo habituar-me a esta forma de alguém se exprimir (ou será espremer?) que já é quase uma moda. Esta redundância soa-me a discurso vazio e, no mínimo, deixa-me de pé atrás à espera que tentem vender-me alguma coisa.
Serei demasiado susceptível?

fevereiro 14, 2008

Um ANO sem fumar

Completa-se hoje um ano desde que deixei de fumar.
Em jeito de "Comemoração" dos dez e onze meses sem fumo, relatei a minha experiência aqui no blogue. Nesta altura, ao completar um ano, seria normal estar tão eufórico da "proeza" alcançada que ninguém me conseguiria aturar e, como tal, a motivação para "comemorar, escrevendo sobre o assunto, deveria ser grande. Afinal não estou com grande vontade de o fazer e vai ser mais um dever que um prazer por achar que se trata de um marco que, do ponto de vista pedagógico, como reforço da motivação, não devo desprezar. Mas posso concluir que são boas as razões que me levam a esta "indiferença". Afinal, após um ano, com a aposta ganha (lagarto, lagarto, lagarto) e o facto de não fumar, embora me deixe feliz, já habituado à nova condição, deixa-me apenas a alegria serena, quase indiferença.
No início do processo, temia o fracasso; não por falta de confiança na minha força de vontade mas por recear que, após o ímpeto inicial, quando não fumar passasse a ser uma coisa banal, deixasse de ter uma causa tangível para a minha luta. Felizmente os meus receios não se confirmaram. Tenho de concluir que também aqui se aplica a 3ª lei de Newton - a acção (vontade de fumar) é igual à reacção (força de vontade para lhe resistir). Mas o processo é dinâmico e, com o tempo, esta equação desfaz-se e o fiel da balança começa a jogar, cada vez mais, a nosso favor - por um lado a vontade de fumar diminui e, por outro, a motivação aumenta através da satisfação pessoal que acompanha o sucesso.
Em jeito de autoavaliação devo dizer que esta mudança me trouxe quase só coisas boas. As más estão ultrapassadas e são apenas as que se prendem com a angústia inicial gerada pela mudança de hábitos. E não me parece que a parte mais difícil tenha sido a ressaca pela ausência de nicotina no organismo. Penso que a mudança de hábitos relacionados com o ritual de gestos associados ao acto de fumar, foi, no meu caso, a parte mais difícil. Mas até nem posso dizer que me tenha custado muito. Tomada a decisão de retirar o tabaco da ementa, após os factos relatados em Faz hoje dez meses, não me lembro de, alguma vez, ter tido uma tentação suficientemente forte que exigisse um grande esforço para lhe resistir.
Mas, afinal, o que mudou com a nova condição?
As mudanças são pouco visíveis porque, além de saudável, sempre estive numa forma física razoável mas, mesmo assim, são mais do que estava à espera:
• Condição física melhorada na generalidade dos indicadores.
• Pulsação em repouso desceu para 54 batimentos p.m.
• Idade metabólica (dizem os técnicos) - 44 anos.
• O peso aumentou 2 kg - nunca fui gordo e toleraria mesmo um aumento mais acentuado. O aumento deveu-se, predominantemente, ao acréscimo de massa muscular por efeito do treino mais regular.
• Tosse frequente desapareceu
• Rouquidão e fadiga precoce da voz desapareceram, aspecto muito importante para quem a voz, como é o meu caso, é ferramenta de trabalho.
• Congestionamento das vias aéreas respiratórias que, frequentemente, me perturbavam a inspiração e, por vezes o sono, desapareceu.
• Durmo muito melhor e acordo mais repousado.
• Do ponto de vista psicológico os efeitos são enormes - a sensação de bem-estar com a auto-estima bem alta acompanha-me permanentemente e faz de mim uma pessoa mais feliz, tolerante, paciente e disponível.
• Ah, e já me esquecia, outro efeito nada negligenciável - estou mais rico! Com o dinheiro que deixei de gastar (cerca de 1.725€) juntei-lhe uns trocos e fiz um PPR no valor de 1.750 euros.
• Além de tudo isto, as limitações ao direito de fumar, agora mais acentuadas com a entrada em vigor da nova lei, deixaram de me incomodar.

Parece que fiz o melhor negócio do mundo com o qual estou de facto muito satisfeito.
Daqui por um ano, prometo nova crónica.

fevereiro 13, 2008

Roubo e gozação

Diz o «Correio da Manhã» que Fátima Felgueiras pagou parte das despesas do exílio no Brasil com dinheiro da câmara municipal de Felgueiras.
Ignorou um mandado do Tribunal de Guimarães que ordenava a sua prisão preventiva e viajou para o Brasil. Para compôr o ramalhete, com o pêlo do mesmo cão, não só desobedeceu à nossa Justiça como nos pôs a pagar a factura do advogado que evitou a prisão preventiva e consequente extradição. Documentos citados pelo «Correio da Manhã» demonstram que a autarca assinou cheques na ordem das centenas de milhar de euros da câmara para se pagar a si própria e aos seus advogados.
Vale tudo? Que confiança podemos ter nos nossos legisladores e nas leis que fazem ou deixam de fazer permitindo que o nosso País seja gozado desta forma?

fevereiro 12, 2008

Apito acelerado

Está visto que a morosidade da justiça é tanto culpa dos juízes como o estado do ensino é culpa dos professores ou o funcionamento da administração pública é culpa dos funcionários públicos ou o estado...
Graças ao desempenho do juiz, o julgamento acabou mesmo por iniciar-se apesar das dúvidas sobre o tal pormenor processual que se previa que viesse a causar mais um adiamento
Mesmo assim, um dos advogados adiantou que vai recorrer desta decisão, reclamando do "excesso de celeridade" e argumentando que não deveria ter sido o juiz do julgamento a dar seguimento à ordem do Tribunal da Relação. Além disso, considerou que o "excesso de celeridade" no início do julgamento do processo provocará, provavelmente, inconstitucionalidade em alguns actos processuais.
- Excesso de celeridade - disse ele!
Em função da capacidade da sala de audiências, depois de introduzir um representante por cada por órgão de comunicação social restaram apenas 11 lugares para contemplar os populares que, nesta situação, aparecem sempre para ver o circo. Mas, ao que parece, os candidatos a um lugar na plateia também não eram muitos... Será que o assunto já deu o que tinha a dar e, depois de ser "julgado" nos meios de comunicação social, o julgamento no tribunal já perdeu todo o interesse?

fevereiro 10, 2008

Apito parado

Parece que o julgamento do apito dourado ainda não é desta que vai começar.
Passados quatro anos, com enormes recursos ali concentrados, milhares de euros gastos e tudo continua parado.
Primeiro foram as sete escutas telefónicas apagadas que atrasaram. A defesa preferia as obras completas e entendeu que não deviam ter sido apagadas sem o seu consentimento. Esta de os réus não deixarem apagar não percebi. Terá a ver com direitos de autor, visto que as vozes gravadas eram deles?
Agora, segundo dizem, o motivo do adiamento (ou será o pretexto?) prende-se com uma assinatura que faltava mas que já não falta desde Março; porém, para o efeito, faz-se de conta que falta pois, se não fosse a assinatura, lá haveria de aparecer outro motivo e, pelo sim pelo não, adia-se para cumprir a tradição.
Até parece que as coisas iam começar a andar com as audiências a realizarem-se todos os dias úteis, ao ritmo de quatro sessões semanais, mesmo à sexta-feira. Até mesmo à sexta-feira, imagine-se. Só não sei como é que fizeram as contas para terem quatro sessões em cinco dias úteis.

fevereiro 09, 2008

Onde pára o simplex?

Os pequenos artesãos, depositários dos saberes tradicionais, passados de geração em geração, estão a desaparecer. Os cestos de vime, os socos de madeira, as meias de lã, as peças de olaria, os capotes de palha, os pequenos objectos de toda a espécie, passarão a ser apenas uma lembrança. Em recente reunião de operadores de turismo, realizada em Montalegre, acerca da Carta Europeia do Turismo sustentável fiquei a saber que a mesma legislação que era suposto proteger e enquadrar a actividade dos pequenos artesãos acaba, ao invés, por lhes dar o golpe de misericórdia. Diz o sítio Web do IAPMEI que a Comissão Nacional para a Promoção dos Ofícios e das Microempresas Artesanais considerou fundamental propor ao Governo a aprovação do estatuto do artesão e da unidade produtiva artesanal, que, designadamente, institui os respectivos processos de acreditação.
Suponho que compete a essa tal Comissão para a Promoção dos Ofícios fazer aquilo que o seu nome indica. Pelo que vejo, não tem desempenhado eficazmente o seu papel visto que a produção dos pequenos artesãos, muitos deles a exercer a sua actividade em tempo parcial, frequentemente ao serão ou enquanto guardam os rebanhos, está a desaparecer. As citadas burocracias transformam-se em constrangimentos que os pequenos artesãos não sabem ou nem estarão interessados em ultrapassar, preferindo abandonar a sua arte a ter que fazer face a esses entraves. Suponho que o estado, ao regular a actividade, é assim que lhe chamam, pretendia, tão só, ir sacar o seu com a aplicação dos impostos da praxe. Infelizmente não vai sacar coisa nenhuma e todos ficaremos mais pobres.

fevereiro 08, 2008

As virgens ofendidas

O director da PJ, em entrevista na tv, admitiu ter havido precipitação quando Kate e Gerry McCann foram constituídos arguidos.
Até aqui tudo bem, a liberdade de expressão é para todos. O homem tem todo o direito de dar a sua opinião e deu-a. Certo?
Quem se sentiu atingido tem todo o direito e liberdade de responder se assim o entender e tiver oportunidade para tal. E ponto final! Certo?
Errado, Sr Alípio Ribeiro, o senhor ainda deve estar, a esta hora, a ver e rever as suas declarações para tentar perceber no que se meteu. Vejamos alguns exemplos das reacções suscitadas:
• O juiz desembargador Eurico Reis diz que o Director Nacional da Polícia Judiciária "não mediu a gravidade das suas declarações"
• O deputado Nuno Melo disse que Alberto Costa não devia demitir Alípio Ribeiro mas sim dar explicações sobre as polémicas declarações
• Santana Lopes admite que ficou "surpreendido e considerou que só "razões muito fortes" podem explicar as declarações
• Foi pedida a opinião do Presidente da República que se escusou a comentar
• O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público criticou os responsáveis de organizações que falam sobre processos pendentes.
• O ministro da Justiça manifestou-se disponível para prestar declarações no Parlamento sobre as polémicas declarações.
• Marcelo Rebelo de Sousa considerou «gravíssima» a declaração do director da Judiciária
• Jorge Coelho considerou que as declarações de Alípio Ribeiro foram infelizes

Em jeito de desabafo - as declarações poderão ter sido infelizes e inoportunas e terem desagradado a alguns mas…
. As reacções não serão exageradas?
. Não estarão estas eminências pardas, a fazerem-se de virgens ofendidas, sempre prontas a chafurdar nas fraquezas alheias, aproveitando todos os pretextos para chamar a atenção mesmo que seja discutindo o sexo dos anjos?

fevereiro 07, 2008

Entregar o ouro ao bandido

Segundo dados compilados pela Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira, entre 2002 e 2005, quase metade das investigações da Polícia Judiciária sobre corrupção estão relacionadas com autarquias locais. E mostram que, em 2005, o número de processos de corrupção que saiu deste departamento com proposta de acusação aumentou significativamente.

É hoje notícia que o governo se prepara para descentralizar competências e entregar mais dinheiro às autarquias locais.

A Associação Nacional dos Municípios Portugueses já emitiu um parecer favorável, ai não, à vinda de mais dinheiro e mais competências para as câmaras - gestão, construção e manutenção das escolas do Ensino Básico. Falta apenas acertar alguns pormenores com o Governo para que o decreto vá a Conselho de Ministros, o que acontecerá até ao fim do mês.

Mas isto não será entregar o ouro aos bandidos?
Será por estas e por outras que os políticos, de acordo com estudo realizado recentemente, são a classe que merece menos confiança?

fevereiro 06, 2008

Justiça à portuguesa

Hoje foi notícia que a equipa de coordenação do processo Apito Dourado vai investigar Jorge Nuno Pinto da Costa por mais três anos, num processo catalogado por crimes fiscais e de branqueamento de capitais.
E eu questiono:
Qual é o interesse para a averiguação dos factos de se pôr a circular esta notícia, seja verdadeira ou seja falsa?
Mas porquê três anos? Pretende-se, de facto, investigar ou empalear por um determinado período de tempo, três anos neste caso?
Desde quando é que as investigações se fazem por um período de tempo e não em função dos indícios em causa?
E não terminam quando se conclui da existência ou não de ilícitos?
E se, em pouco tempo, se concluir que o homem está inocente? Vão, mesmo assim, andar encima dele até se esgotarem os três anos?

fevereiro 04, 2008

Sementeira

Hoje dediquei-me à sementeira.
Num germinador semeei bróculos e também plantas aromáticas - orégãos, salsa, tomilho, segurelha e coentros. Noutro tabuleiro semeei couve penca da Póvoa, cebola branca de Lisboa, tomate marmande extra e tomate coração de boi.
Comecei por colocar turfa, quase até cima, calquei um pouco, coloquei uma semente em cada favo, cobri com mais turfa, reguei com muito cuidado e coloquei os germinadores na estufa.
Agora é só esperar que o milagre aconteça e ir espreitando ansiosamente para ver a vida a despontar da terra. Esta fase, como na vida em geral, é, sem dúvida, a mais agradável e emocionante de todo o processo - esperar o nascimento de novas vidas.
Dentro de três dias teremos outra vez a lua nova, esperemos que não haja influências negativas.

fevereiro 03, 2008

Profissão: Formando

Fiquei a saber, há dias, que existe, se não como profissão, pelo menos como ocupação de longa duração, a situação de – formando. Em reunião do sector do turismo em que estive presente com vários operadores, equacionava-se a necessidade da oferta de formação. Foi constatada a sua pertinência mas alguém alertou para o facto de aparecer sempre muita gente para a formação mas a maior parte dos candidatos não querer trabalhar e estar interessado apenas na formação.
Como é?
Falei com outras pessoas que me confirmaram o que eu não acharia possível, mas sim, é isso mesmo.
Parece que há entidades que existem para fazer formação e têm uma bolsa de clientes habituais, sempre dispostos a colaborar. Segundo me disseram, há sempre interessados em receber a bolsa de formação + subsídio de almoço + deslocações + subsídio para infantário, se for o caso. Além de não terem necessidade de "dar o litro", com a falta de ambição que, inevitavelmente caracteriza quem opta por tal "profissão", fica composto o quadro que, pelos vistos, se vai mantendo com a aparente complacência de quem deveria moralizar tal situação.
Também soube que o controlo, que também existe, é uma excepção e não uma regra, o que tem permitido alimentar este fenómeno verdadeiramente lamentável de desvirtuar um potencial factor de desenvolvimento transformando-o num objectivo em si próprio.

janeiro 31, 2008

Somos aquilo que comemos

"Não sou esperto nem bruto
Nem bem nem mal educado
Sou simplesmente o produto
Do meio em que fui criado"

António Aleixo
Ao ler um artigo sobre nutrição com o título «Somos aquilo que comemos», extrapolei da nutrição para a socialização e respectivo processo de formação dos cidadãos que somos. E podemos concluir que, também neste capítulo "somos o que comemos". E isso fez-me evocar um texto que escrevi, há já uns anos, e que continua actual e aqui colo, com algumas adaptações:

O nosso país sofre de um mal de letargia endémica. É uma autêntica pescadinha de rabo na boca a produzir e reproduzir os males e malefícios que nos vão afundando cada vez mais. Os cidadãos do país que deu «novos mundos ao mundo» não são, em nada, inferiores aos seus pares de outros países que, em quase todos os rankings olhamos de baixo para cima. A sucessão de governos que fazem de conta que governam transformou-nos num autêntico cemitério onde os mortos-vivos pululam e vão fazendo de conta que estão vivos e se movimentam, ao sabor da maré, sem chama e sem entusiasmo.
Tudo se resume a uma postura derivada de uma mentalidade que se foi construindo de equívoco em equívoco e que deixou a generalidade da população sem moral e sem objectivos. E o exemplo que vem de cima não nos recomenda. O Estado não garante a justiça e a execução das leis; não nos respeita nem tem uma atitude pedagógica no trato com os cidadãos, não é pessoa de bem, não paga a horas mas exige de nós de forma unilateral. Os nossos governantes e gestores públicos esquecem-se que estão num país pobre em que a generalidade da população tem carências de toda a ordem mas não prescindem (os detentores do poder) de esbanjar o que nos sacam em todo o tipo de benesses e mordomias como reformas chorudas e precoces, automóveis topo de gama, assessores aos montes...
O modelo de cidadão que temos no nosso imaginário colectivo é um consumista, com um bom carro, férias no estrangeiro, tudo do bom e que ganha muito dinheiro e trabalha muito pouco. E para obter isto vale tudo - endividamento, fuga aos impostos, falcatruas, corrupção... E a base que devia suportar estas aspirações - a dedicação ao trabalho e a produtividade consequente não são possíveis. Porquê? porque as empresas não investem porque não podem, não querem ou não sabem e os trabalhadores são mal pagos e estão descrentes e como tal não pode haver sucesso. Para manter o nível de vida que ambicionamos, fazemos mais umas coisas por fora. Os polícias conduzem um táxi ou fazem segurança, os professores dão explicações, os políticos fazem umas habilidades, o mecânico, o trolha, o picheleiro, etc fazem mais uns biscates, outros vendem seguros, apartamentos ou tuperwares, os administradores de empresas acrescentam mais umas quantas ao rol, os médicos desdobram-se como podem, etc. Enfim todos tentam desenrascar-se para fazer face ao consumismo vigente. E, claro que assim não podemos render na nossa actividade principal e, mesmo aqueles que se encontram motivados e tentam desenvolver um trabalho sério acabam por ser apanhados nas malhas do marasmo e a duvidar se é assim que deve ser ou se não deverão fazer como os outros que se desenrascam e «têm sucesso». E a nossa juventude, imbuída desse mesmo espírito, não se dedica seriamente ao estudo e não pode ter sucesso. E o insucesso leva ao abandono escolar e à iliteracia generalizada, entrada precoce no mundo do trabalho e falta ou inexistência de quadros técnicos ou baixa qualificação profissional. E, como o trabalho não nos realiza, temos baixa auto-estima e vamos para a estrada procurar a realização, armados em reis, com as consequências que sabemos. E a baixa produtividade estende-se à saúde, justiça, fiscalidade e temos o quadro que bem conhecemos.
Quando sairemos disto?

janeiro 30, 2008

Bastonário 2 – Políticos 0

O Bastonário da ordem dos advogados voltou a repetir, ontem, na cerimónia de abertura do ano judicial, alto e bom som, as acusações que já fizera e que tanto parecem ter incomodado alguns políticos. Andei distraído ou, da segunda vez, já nem houve reacção por parte destes?
Fico com a nítida sensação de que, em vez de se pretender apurar responsabilidades e fazer justiça, nas entrelinhas do que foram as várias reacções, transparecia outro género de preocupações, centradas no denunciante e não nos factos denunciados.
Parece que a toda gente conhece os factos em causa e o inquérito prometido se destina apenas a criar a ilusão que se vai fazer alguma coisa enquanto a poeira do esquecimento não acaba de assentar.
Ou estarei enganado?
Plus ça change, plus c'est pareil!

janeiro 29, 2008

Abertura do ano judicial

Ao ver a reportagem da cerimónia de abertura do ano judicial, chamou-me a atenção a quantidade de artistas, quase todos pagos pelo Estado, que são necessários para fazer a dita abertura.
O artista número um nesta matéria, o ministro da Justiça, depreendo que seria imprescindível para abrir capazmente o ano judicial, começou assim o seu discurso: (Não vou colar aqui o discurso, isto é só para ter pé de dizer quem são os artistas que são necessários para abrir o ano Judicial como deve ser):
Senhor Presidente da República
Senhor Primeiro-Ministro
Senhor Vice-Presidente da Assembleia da República
Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça
Senhor Presidente do Tribunal Constitucional
Senhor Procurador-Geral da República
Senhor Presidente do Supremo Tribunal Administrativo
Senhor Bastonário da Ordem dos Advogados
Sua Eminência Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa,
Senhores Ministros da República para os Açores e Madeira
Senhor Provedor da Justiça
Senhores Presidentes dos Tribunais Superiores
Senhores Procuradores-Gerais Distritais
Senhores Magistrados Judiciais
Senhores Magistrados do Ministério Público
Senhores Advogados
Excelentíssimas Autoridades Civis, Religiosas e Militares
Minhas Senhoras e Meus Senhores
XVII Governo Constitucional - presente, pela primeira vez, nesta cerimónia de abertura do ano judicial.
E, ao que parece, por lá passaram a tarde porque isto de abrir o ano judicial não deve ser pêra doce.
Deve ter custado um balúrdio ao erário público, muitas tarefas ficaram por fazer, principalmente na justiça mas não havia outra solução, já estamos no fim de Janeiro e alguém tinha de abrir o ano judicial, seja lá o que isso for.

janeiro 28, 2008

Apupos

Parece que os deputados do PS têm recebido muitas queixas de cidadãos, nomeadamente de professores acerca dos procedimentos prepotentes por parte do governo e pretenderam questionar elementos da equipa ministerial da Educação, Ministra incluída. Mas a reunião não terá corrido bem e acabou com acusações mútuas e a equipa da Educação a considerar que os deputados estavam a dar voz a "professorzecos".
É elementar dizer que o respeito devido a todos os cidadãos devia ser uma constante e um exemplo que, seria suposto, vir de cima. Esta tirada, sintomática do despudor, prepotência, arrogância e falta de respeito deste governo já nem sequer espanta. É apenas mais do mesmo.
Claro que, assim, não admira que o Sr. Primeiro Ministro diga que não se importa de ser apupado. O treino já é tanto! E, com saídas destas por parte da equipa que chefia, não me espanta que os apupos passem a ser a única manifestação pública a que passará a ter direito.

janeiro 27, 2008

O Coiso


Na ronda habitual pelos blogues favoritos, encontrei, no O Coiso, um testemunho do autor acerca dos "Cinco meses sem fumar". Aqui fica, juntamente com os comentários que eu e outros frequentadores lá deixámos:

A sensação de liberdade é magnífica!
Não estar sempre à espera do momento para fumar mais um cigarro, não cheirar a tabaco, não ter a boca a saber a almanaques Bertrand de 1923 e seguintes, não ressonar, não tossir, não ficar a arfar depois de subir uma ladeira, não andar sempre à procura do isqueiro, não ter cinzeiros para despejar, não sentir o coração a bater descompassado depois de três cigarros seguidos, não ser olhado de lado pelos próprios filhos, não estar com medo de queimar o sofá com o morrão do cigarro, não ter buracos no tapetes do carro, ter menos pedra nos dentes, não ter os dedos amarelos, não ter que me chatear por causa da hipocrisia da lei anti-tabaco…
…poupar cerca de dois mil euros/ano…

Pinoka Says:
Sei como é. Já lá vão quatro anos que deixei e não me arrependo, nem tinha que me arrepender.
Mas o prazer que aquilo dava… nunca vou esquecer.

pachita Says:
Já andava há algum tempo para comentar e hoje resolvi fazê-lo.
Vou a caminho dos 3 meses sem fumar. Sem champix, sem adesivos ou pastilhas. Foi mesmo a frio e não custou nada. Há dias em que apetece fumar um cigarro, em que tenho uma vontade terrível de fumar um cigarro, mas tenho conseguido controlar esses impulsos.
Mas o balanço é bastante positivo, sinto-me muito melhor, com muito mais energia e mais saudável.
Parabéns! :)
PS - Também passei pela fase de contar os dias. :D

Xeringador Says:
Subscrevo por inteiro o teu comentário e revejo-me a recitar todas as vantagens enunciadas sobre a vida sem fumo. Eu acrescentaria o bem-estar psicológico resultante do aumento da auto-estima que nos faz “trazer o rei na barriga”. Parabéns pelos cinco meses. Tenho acompanhado o teu percurso desde o início e fico contente por ti pois, tendo eu próprio deixado o tabaco há quase um ano, sei bem o calvário que é a dependência do dito.
Vou colar o teu desabafo no meu blogue.

Contador de visitas

No dia 24.01.08, com o apoio, via messenger, do meu amigo Pedro Carneiro, instalei um contador de visitas.
Quando o Pedro encontrou dificuldades na instalação do dito disse-lhe que não valia a pena insistir pois as visitas eram tão escassas que eu conseguia perfeitamente contá-las à mão. Mas, parece que não é bem assim. Olhando para a vertiginosa escalada do contador tenho de concluir que, afinal, não estava sozinho.
Se houver alguém mais atento que tenha olhado para o contador irá estranhar ver o número lá registado inferior à safra já atingida anteriormente. Como o registo de visitas se encontrava por trás do tí­tulo e já havia justas reclamações por parte do comentador mais assíduo, houve que mudá-lo. No decurso dessa operação, realizada hoje, perdeu-se o registo de 142 visitas que já levava e voltou ao zero. Isso para o Xeringador não é problema, supomos que também o não seja para os nossos visitantes. Com tempo lá voltaremos a chegar.
Pois sê bem vindo à humilde casa do xeringador!
Será uma honra contar contigo e falar-te das coisas simples da vida de todos os dias.