fevereiro 23, 2008

Sabe-me dizer, por favor…?

Hoje, ao levar a minha filha a uma festa de aniversário, à procura da rua da Estrela, pude constatar, mais uma vez, o quanto as pessoas gostam de ser prestáveis mesmo sem condições para tal. Quando se pede uma informação acerca de um endereço, se a pessoa souber, diz-nos. Claro que, frequentemente, o excesso de detalhes acaba por baralhar de tal forma que torna inútil a informação. Mas a maior dificuldade é quando perguntamos a quem não sabe mas, mesmo assim, insiste em mostrar os seus conhecimentos acerca de outras ruas ou justificar porque não sabe. Foi o que me aconteceu hoje; perguntei ao caixa do supermercado, enquanto me fazia o troco; ele não sabia mas tinha pena e insistiu em dar-me uma lição sobre a geografia da zona. Tive que lhe pedir para me dar o troco para eu poder ir perguntar a quem soubesse. Ficou desconcertado com o meu pedido.
Finalmente, quando encontrei, o dono da casa perguntou-me:
- É fácil de encontrar, não é?
- Para quem souber é fácil.

fevereiro 22, 2008

Tempo de reflexão

Desde que retomei a escrita deste blogue, no final de 2007, tenho mantido uma produção bastante regular. Até eu próprio me admiro com a quantidade de coisas que aqui fui escrevendo.
Já referi, há dias, que estava a fazer um esforço no sentido de fazer o blogue ganhar algum lanço e esperar que, com o tempo, fosse ele a puxar por mim. Isso não está a acontecer. Eu estou a puxar por ele mas ele continua a não puxar por mim.
Por um lado, é esta a avaliação que faço nesta altura, “ as coisas vulgares da vida de todos os dias” sobre as quais tenho escrito, de forma bem assumida desde o início, terão um interesse muito discutível. Por outro lado, não estando à espera de um milagre que fizesse surgir uma obra-prima, tinha alguma esperança de fazer surgir alguma discussão acerca dos temas aqui abordados. Como, até agora, tal não foi conseguido, deixarei de manter a regularidade anterior e passarei a escrever de vez em quando, usando apenas a inspiração (se ela surgir) e deixarei de lado a transpiração.

fevereiro 19, 2008

Regresso ao tabaco

O vício do tabaco é, de facto, um condicionamento muito forte e para toda a vida. Não reagimos todos da mesma forma mas, pelo que tenho constatado, mesmo após longos períodos de abstinência, o tabaco continua sempre presente na nossa cabeça. Não há dúvida nenhuma que se trata de um hábito incomparavelmente mais fácil de adquirir do que de perder.
Há quase um ano, quando eu estava apenas com quinze dias de abstinência, o meu amigo H. B., estava sem fumar havia quinze meses. Com a sua pedagogia de desvalorizar os meus quinze dias, espicaçou a minha motivação. A partir daí, a minha tentativa para parar, à medida que se estendia no tempo, foi ganhando o respeito dele e deixou de ser motivo de gozo.
Agora que ele estava já, desde há 27 meses sem fumar, as contingências da vida levaram-no a voltar a experimentar. Começou por fumar um cigarro em dias mais complicados; passou a fumar também em alturas mais conturbadas e depois nos momentos de stress que, infelizmente, têm sido muitos. Agora, ao que parece, está a começar a entrar na rotina de fumar porque sim.
Meu caro H.B., fico a torcer para que tenhas a serenidade suficiente para pensar e decidir o teu rumo antes de te deixares embalar pela onda que te está a arrastar.

fevereiro 17, 2008

Portugueses e portuguesas!

Passei os últimos dias a ouvir intervenções públicas e a irritar-me, de vez em quando, com a forma de alguns oradores se dirigirem ao auditório discriminando o masculino e o feminino dizendo, por exemplo - meus senhores e minhas senhoras!
Faz parte das regras dirigirmo-nos a um grupo usando a forma masculina para englobar todos (os senhores e as senhoras, caros e caras, amigos e amigas...).
Mesmo que haja apenas um senhor no auditório, diz a regra que se use a forma masculina.
Não consigo habituar-me a esta forma de alguém se exprimir (ou será espremer?) que já é quase uma moda. Esta redundância soa-me a discurso vazio e, no mínimo, deixa-me de pé atrás à espera que tentem vender-me alguma coisa.
Serei demasiado susceptível?

fevereiro 14, 2008

Um ANO sem fumar

Completa-se hoje um ano desde que deixei de fumar.
Em jeito de "Comemoração" dos dez e onze meses sem fumo, relatei a minha experiência aqui no blogue. Nesta altura, ao completar um ano, seria normal estar tão eufórico da "proeza" alcançada que ninguém me conseguiria aturar e, como tal, a motivação para "comemorar, escrevendo sobre o assunto, deveria ser grande. Afinal não estou com grande vontade de o fazer e vai ser mais um dever que um prazer por achar que se trata de um marco que, do ponto de vista pedagógico, como reforço da motivação, não devo desprezar. Mas posso concluir que são boas as razões que me levam a esta "indiferença". Afinal, após um ano, com a aposta ganha (lagarto, lagarto, lagarto) e o facto de não fumar, embora me deixe feliz, já habituado à nova condição, deixa-me apenas a alegria serena, quase indiferença.
No início do processo, temia o fracasso; não por falta de confiança na minha força de vontade mas por recear que, após o ímpeto inicial, quando não fumar passasse a ser uma coisa banal, deixasse de ter uma causa tangível para a minha luta. Felizmente os meus receios não se confirmaram. Tenho de concluir que também aqui se aplica a 3ª lei de Newton - a acção (vontade de fumar) é igual à reacção (força de vontade para lhe resistir). Mas o processo é dinâmico e, com o tempo, esta equação desfaz-se e o fiel da balança começa a jogar, cada vez mais, a nosso favor - por um lado a vontade de fumar diminui e, por outro, a motivação aumenta através da satisfação pessoal que acompanha o sucesso.
Em jeito de autoavaliação devo dizer que esta mudança me trouxe quase só coisas boas. As más estão ultrapassadas e são apenas as que se prendem com a angústia inicial gerada pela mudança de hábitos. E não me parece que a parte mais difícil tenha sido a ressaca pela ausência de nicotina no organismo. Penso que a mudança de hábitos relacionados com o ritual de gestos associados ao acto de fumar, foi, no meu caso, a parte mais difícil. Mas até nem posso dizer que me tenha custado muito. Tomada a decisão de retirar o tabaco da ementa, após os factos relatados em Faz hoje dez meses, não me lembro de, alguma vez, ter tido uma tentação suficientemente forte que exigisse um grande esforço para lhe resistir.
Mas, afinal, o que mudou com a nova condição?
As mudanças são pouco visíveis porque, além de saudável, sempre estive numa forma física razoável mas, mesmo assim, são mais do que estava à espera:
• Condição física melhorada na generalidade dos indicadores.
• Pulsação em repouso desceu para 54 batimentos p.m.
• Idade metabólica (dizem os técnicos) - 44 anos.
• O peso aumentou 2 kg - nunca fui gordo e toleraria mesmo um aumento mais acentuado. O aumento deveu-se, predominantemente, ao acréscimo de massa muscular por efeito do treino mais regular.
• Tosse frequente desapareceu
• Rouquidão e fadiga precoce da voz desapareceram, aspecto muito importante para quem a voz, como é o meu caso, é ferramenta de trabalho.
• Congestionamento das vias aéreas respiratórias que, frequentemente, me perturbavam a inspiração e, por vezes o sono, desapareceu.
• Durmo muito melhor e acordo mais repousado.
• Do ponto de vista psicológico os efeitos são enormes - a sensação de bem-estar com a auto-estima bem alta acompanha-me permanentemente e faz de mim uma pessoa mais feliz, tolerante, paciente e disponível.
• Ah, e já me esquecia, outro efeito nada negligenciável - estou mais rico! Com o dinheiro que deixei de gastar (cerca de 1.725€) juntei-lhe uns trocos e fiz um PPR no valor de 1.750 euros.
• Além de tudo isto, as limitações ao direito de fumar, agora mais acentuadas com a entrada em vigor da nova lei, deixaram de me incomodar.

Parece que fiz o melhor negócio do mundo com o qual estou de facto muito satisfeito.
Daqui por um ano, prometo nova crónica.

fevereiro 13, 2008

Roubo e gozação

Diz o «Correio da Manhã» que Fátima Felgueiras pagou parte das despesas do exílio no Brasil com dinheiro da câmara municipal de Felgueiras.
Ignorou um mandado do Tribunal de Guimarães que ordenava a sua prisão preventiva e viajou para o Brasil. Para compôr o ramalhete, com o pêlo do mesmo cão, não só desobedeceu à nossa Justiça como nos pôs a pagar a factura do advogado que evitou a prisão preventiva e consequente extradição. Documentos citados pelo «Correio da Manhã» demonstram que a autarca assinou cheques na ordem das centenas de milhar de euros da câmara para se pagar a si própria e aos seus advogados.
Vale tudo? Que confiança podemos ter nos nossos legisladores e nas leis que fazem ou deixam de fazer permitindo que o nosso País seja gozado desta forma?

fevereiro 12, 2008

Apito acelerado

Está visto que a morosidade da justiça é tanto culpa dos juízes como o estado do ensino é culpa dos professores ou o funcionamento da administração pública é culpa dos funcionários públicos ou o estado...
Graças ao desempenho do juiz, o julgamento acabou mesmo por iniciar-se apesar das dúvidas sobre o tal pormenor processual que se previa que viesse a causar mais um adiamento
Mesmo assim, um dos advogados adiantou que vai recorrer desta decisão, reclamando do "excesso de celeridade" e argumentando que não deveria ter sido o juiz do julgamento a dar seguimento à ordem do Tribunal da Relação. Além disso, considerou que o "excesso de celeridade" no início do julgamento do processo provocará, provavelmente, inconstitucionalidade em alguns actos processuais.
- Excesso de celeridade - disse ele!
Em função da capacidade da sala de audiências, depois de introduzir um representante por cada por órgão de comunicação social restaram apenas 11 lugares para contemplar os populares que, nesta situação, aparecem sempre para ver o circo. Mas, ao que parece, os candidatos a um lugar na plateia também não eram muitos... Será que o assunto já deu o que tinha a dar e, depois de ser "julgado" nos meios de comunicação social, o julgamento no tribunal já perdeu todo o interesse?