fevereiro 14, 2008

Um ANO sem fumar

Completa-se hoje um ano desde que deixei de fumar.
Em jeito de "Comemoração" dos dez e onze meses sem fumo, relatei a minha experiência aqui no blogue. Nesta altura, ao completar um ano, seria normal estar tão eufórico da "proeza" alcançada que ninguém me conseguiria aturar e, como tal, a motivação para "comemorar, escrevendo sobre o assunto, deveria ser grande. Afinal não estou com grande vontade de o fazer e vai ser mais um dever que um prazer por achar que se trata de um marco que, do ponto de vista pedagógico, como reforço da motivação, não devo desprezar. Mas posso concluir que são boas as razões que me levam a esta "indiferença". Afinal, após um ano, com a aposta ganha (lagarto, lagarto, lagarto) e o facto de não fumar, embora me deixe feliz, já habituado à nova condição, deixa-me apenas a alegria serena, quase indiferença.
No início do processo, temia o fracasso; não por falta de confiança na minha força de vontade mas por recear que, após o ímpeto inicial, quando não fumar passasse a ser uma coisa banal, deixasse de ter uma causa tangível para a minha luta. Felizmente os meus receios não se confirmaram. Tenho de concluir que também aqui se aplica a 3ª lei de Newton - a acção (vontade de fumar) é igual à reacção (força de vontade para lhe resistir). Mas o processo é dinâmico e, com o tempo, esta equação desfaz-se e o fiel da balança começa a jogar, cada vez mais, a nosso favor - por um lado a vontade de fumar diminui e, por outro, a motivação aumenta através da satisfação pessoal que acompanha o sucesso.
Em jeito de autoavaliação devo dizer que esta mudança me trouxe quase só coisas boas. As más estão ultrapassadas e são apenas as que se prendem com a angústia inicial gerada pela mudança de hábitos. E não me parece que a parte mais difícil tenha sido a ressaca pela ausência de nicotina no organismo. Penso que a mudança de hábitos relacionados com o ritual de gestos associados ao acto de fumar, foi, no meu caso, a parte mais difícil. Mas até nem posso dizer que me tenha custado muito. Tomada a decisão de retirar o tabaco da ementa, após os factos relatados em Faz hoje dez meses, não me lembro de, alguma vez, ter tido uma tentação suficientemente forte que exigisse um grande esforço para lhe resistir.
Mas, afinal, o que mudou com a nova condição?
As mudanças são pouco visíveis porque, além de saudável, sempre estive numa forma física razoável mas, mesmo assim, são mais do que estava à espera:
• Condição física melhorada na generalidade dos indicadores.
• Pulsação em repouso desceu para 54 batimentos p.m.
• Idade metabólica (dizem os técnicos) - 44 anos.
• O peso aumentou 2 kg - nunca fui gordo e toleraria mesmo um aumento mais acentuado. O aumento deveu-se, predominantemente, ao acréscimo de massa muscular por efeito do treino mais regular.
• Tosse frequente desapareceu
• Rouquidão e fadiga precoce da voz desapareceram, aspecto muito importante para quem a voz, como é o meu caso, é ferramenta de trabalho.
• Congestionamento das vias aéreas respiratórias que, frequentemente, me perturbavam a inspiração e, por vezes o sono, desapareceu.
• Durmo muito melhor e acordo mais repousado.
• Do ponto de vista psicológico os efeitos são enormes - a sensação de bem-estar com a auto-estima bem alta acompanha-me permanentemente e faz de mim uma pessoa mais feliz, tolerante, paciente e disponível.
• Ah, e já me esquecia, outro efeito nada negligenciável - estou mais rico! Com o dinheiro que deixei de gastar (cerca de 1.725€) juntei-lhe uns trocos e fiz um PPR no valor de 1.750 euros.
• Além de tudo isto, as limitações ao direito de fumar, agora mais acentuadas com a entrada em vigor da nova lei, deixaram de me incomodar.

Parece que fiz o melhor negócio do mundo com o qual estou de facto muito satisfeito.
Daqui por um ano, prometo nova crónica.

fevereiro 13, 2008

Roubo e gozação

Diz o «Correio da Manhã» que Fátima Felgueiras pagou parte das despesas do exílio no Brasil com dinheiro da câmara municipal de Felgueiras.
Ignorou um mandado do Tribunal de Guimarães que ordenava a sua prisão preventiva e viajou para o Brasil. Para compôr o ramalhete, com o pêlo do mesmo cão, não só desobedeceu à nossa Justiça como nos pôs a pagar a factura do advogado que evitou a prisão preventiva e consequente extradição. Documentos citados pelo «Correio da Manhã» demonstram que a autarca assinou cheques na ordem das centenas de milhar de euros da câmara para se pagar a si própria e aos seus advogados.
Vale tudo? Que confiança podemos ter nos nossos legisladores e nas leis que fazem ou deixam de fazer permitindo que o nosso País seja gozado desta forma?

fevereiro 12, 2008

Apito acelerado

Está visto que a morosidade da justiça é tanto culpa dos juízes como o estado do ensino é culpa dos professores ou o funcionamento da administração pública é culpa dos funcionários públicos ou o estado...
Graças ao desempenho do juiz, o julgamento acabou mesmo por iniciar-se apesar das dúvidas sobre o tal pormenor processual que se previa que viesse a causar mais um adiamento
Mesmo assim, um dos advogados adiantou que vai recorrer desta decisão, reclamando do "excesso de celeridade" e argumentando que não deveria ter sido o juiz do julgamento a dar seguimento à ordem do Tribunal da Relação. Além disso, considerou que o "excesso de celeridade" no início do julgamento do processo provocará, provavelmente, inconstitucionalidade em alguns actos processuais.
- Excesso de celeridade - disse ele!
Em função da capacidade da sala de audiências, depois de introduzir um representante por cada por órgão de comunicação social restaram apenas 11 lugares para contemplar os populares que, nesta situação, aparecem sempre para ver o circo. Mas, ao que parece, os candidatos a um lugar na plateia também não eram muitos... Será que o assunto já deu o que tinha a dar e, depois de ser "julgado" nos meios de comunicação social, o julgamento no tribunal já perdeu todo o interesse?

fevereiro 10, 2008

Apito parado

Parece que o julgamento do apito dourado ainda não é desta que vai começar.
Passados quatro anos, com enormes recursos ali concentrados, milhares de euros gastos e tudo continua parado.
Primeiro foram as sete escutas telefónicas apagadas que atrasaram. A defesa preferia as obras completas e entendeu que não deviam ter sido apagadas sem o seu consentimento. Esta de os réus não deixarem apagar não percebi. Terá a ver com direitos de autor, visto que as vozes gravadas eram deles?
Agora, segundo dizem, o motivo do adiamento (ou será o pretexto?) prende-se com uma assinatura que faltava mas que já não falta desde Março; porém, para o efeito, faz-se de conta que falta pois, se não fosse a assinatura, lá haveria de aparecer outro motivo e, pelo sim pelo não, adia-se para cumprir a tradição.
Até parece que as coisas iam começar a andar com as audiências a realizarem-se todos os dias úteis, ao ritmo de quatro sessões semanais, mesmo à sexta-feira. Até mesmo à sexta-feira, imagine-se. Só não sei como é que fizeram as contas para terem quatro sessões em cinco dias úteis.

fevereiro 09, 2008

Onde pára o simplex?

Os pequenos artesãos, depositários dos saberes tradicionais, passados de geração em geração, estão a desaparecer. Os cestos de vime, os socos de madeira, as meias de lã, as peças de olaria, os capotes de palha, os pequenos objectos de toda a espécie, passarão a ser apenas uma lembrança. Em recente reunião de operadores de turismo, realizada em Montalegre, acerca da Carta Europeia do Turismo sustentável fiquei a saber que a mesma legislação que era suposto proteger e enquadrar a actividade dos pequenos artesãos acaba, ao invés, por lhes dar o golpe de misericórdia. Diz o sítio Web do IAPMEI que a Comissão Nacional para a Promoção dos Ofícios e das Microempresas Artesanais considerou fundamental propor ao Governo a aprovação do estatuto do artesão e da unidade produtiva artesanal, que, designadamente, institui os respectivos processos de acreditação.
Suponho que compete a essa tal Comissão para a Promoção dos Ofícios fazer aquilo que o seu nome indica. Pelo que vejo, não tem desempenhado eficazmente o seu papel visto que a produção dos pequenos artesãos, muitos deles a exercer a sua actividade em tempo parcial, frequentemente ao serão ou enquanto guardam os rebanhos, está a desaparecer. As citadas burocracias transformam-se em constrangimentos que os pequenos artesãos não sabem ou nem estarão interessados em ultrapassar, preferindo abandonar a sua arte a ter que fazer face a esses entraves. Suponho que o estado, ao regular a actividade, é assim que lhe chamam, pretendia, tão só, ir sacar o seu com a aplicação dos impostos da praxe. Infelizmente não vai sacar coisa nenhuma e todos ficaremos mais pobres.

fevereiro 08, 2008

As virgens ofendidas

O director da PJ, em entrevista na tv, admitiu ter havido precipitação quando Kate e Gerry McCann foram constituídos arguidos.
Até aqui tudo bem, a liberdade de expressão é para todos. O homem tem todo o direito de dar a sua opinião e deu-a. Certo?
Quem se sentiu atingido tem todo o direito e liberdade de responder se assim o entender e tiver oportunidade para tal. E ponto final! Certo?
Errado, Sr Alípio Ribeiro, o senhor ainda deve estar, a esta hora, a ver e rever as suas declarações para tentar perceber no que se meteu. Vejamos alguns exemplos das reacções suscitadas:
• O juiz desembargador Eurico Reis diz que o Director Nacional da Polícia Judiciária "não mediu a gravidade das suas declarações"
• O deputado Nuno Melo disse que Alberto Costa não devia demitir Alípio Ribeiro mas sim dar explicações sobre as polémicas declarações
• Santana Lopes admite que ficou "surpreendido e considerou que só "razões muito fortes" podem explicar as declarações
• Foi pedida a opinião do Presidente da República que se escusou a comentar
• O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público criticou os responsáveis de organizações que falam sobre processos pendentes.
• O ministro da Justiça manifestou-se disponível para prestar declarações no Parlamento sobre as polémicas declarações.
• Marcelo Rebelo de Sousa considerou «gravíssima» a declaração do director da Judiciária
• Jorge Coelho considerou que as declarações de Alípio Ribeiro foram infelizes

Em jeito de desabafo - as declarações poderão ter sido infelizes e inoportunas e terem desagradado a alguns mas…
. As reacções não serão exageradas?
. Não estarão estas eminências pardas, a fazerem-se de virgens ofendidas, sempre prontas a chafurdar nas fraquezas alheias, aproveitando todos os pretextos para chamar a atenção mesmo que seja discutindo o sexo dos anjos?

fevereiro 07, 2008

Entregar o ouro ao bandido

Segundo dados compilados pela Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira, entre 2002 e 2005, quase metade das investigações da Polícia Judiciária sobre corrupção estão relacionadas com autarquias locais. E mostram que, em 2005, o número de processos de corrupção que saiu deste departamento com proposta de acusação aumentou significativamente.

É hoje notícia que o governo se prepara para descentralizar competências e entregar mais dinheiro às autarquias locais.

A Associação Nacional dos Municípios Portugueses já emitiu um parecer favorável, ai não, à vinda de mais dinheiro e mais competências para as câmaras - gestão, construção e manutenção das escolas do Ensino Básico. Falta apenas acertar alguns pormenores com o Governo para que o decreto vá a Conselho de Ministros, o que acontecerá até ao fim do mês.

Mas isto não será entregar o ouro aos bandidos?
Será por estas e por outras que os políticos, de acordo com estudo realizado recentemente, são a classe que merece menos confiança?