fevereiro 10, 2008

Apito parado

Parece que o julgamento do apito dourado ainda não é desta que vai começar.
Passados quatro anos, com enormes recursos ali concentrados, milhares de euros gastos e tudo continua parado.
Primeiro foram as sete escutas telefónicas apagadas que atrasaram. A defesa preferia as obras completas e entendeu que não deviam ter sido apagadas sem o seu consentimento. Esta de os réus não deixarem apagar não percebi. Terá a ver com direitos de autor, visto que as vozes gravadas eram deles?
Agora, segundo dizem, o motivo do adiamento (ou será o pretexto?) prende-se com uma assinatura que faltava mas que já não falta desde Março; porém, para o efeito, faz-se de conta que falta pois, se não fosse a assinatura, lá haveria de aparecer outro motivo e, pelo sim pelo não, adia-se para cumprir a tradição.
Até parece que as coisas iam começar a andar com as audiências a realizarem-se todos os dias úteis, ao ritmo de quatro sessões semanais, mesmo à sexta-feira. Até mesmo à sexta-feira, imagine-se. Só não sei como é que fizeram as contas para terem quatro sessões em cinco dias úteis.

fevereiro 09, 2008

Onde pára o simplex?

Os pequenos artesãos, depositários dos saberes tradicionais, passados de geração em geração, estão a desaparecer. Os cestos de vime, os socos de madeira, as meias de lã, as peças de olaria, os capotes de palha, os pequenos objectos de toda a espécie, passarão a ser apenas uma lembrança. Em recente reunião de operadores de turismo, realizada em Montalegre, acerca da Carta Europeia do Turismo sustentável fiquei a saber que a mesma legislação que era suposto proteger e enquadrar a actividade dos pequenos artesãos acaba, ao invés, por lhes dar o golpe de misericórdia. Diz o sítio Web do IAPMEI que a Comissão Nacional para a Promoção dos Ofícios e das Microempresas Artesanais considerou fundamental propor ao Governo a aprovação do estatuto do artesão e da unidade produtiva artesanal, que, designadamente, institui os respectivos processos de acreditação.
Suponho que compete a essa tal Comissão para a Promoção dos Ofícios fazer aquilo que o seu nome indica. Pelo que vejo, não tem desempenhado eficazmente o seu papel visto que a produção dos pequenos artesãos, muitos deles a exercer a sua actividade em tempo parcial, frequentemente ao serão ou enquanto guardam os rebanhos, está a desaparecer. As citadas burocracias transformam-se em constrangimentos que os pequenos artesãos não sabem ou nem estarão interessados em ultrapassar, preferindo abandonar a sua arte a ter que fazer face a esses entraves. Suponho que o estado, ao regular a actividade, é assim que lhe chamam, pretendia, tão só, ir sacar o seu com a aplicação dos impostos da praxe. Infelizmente não vai sacar coisa nenhuma e todos ficaremos mais pobres.

fevereiro 08, 2008

As virgens ofendidas

O director da PJ, em entrevista na tv, admitiu ter havido precipitação quando Kate e Gerry McCann foram constituídos arguidos.
Até aqui tudo bem, a liberdade de expressão é para todos. O homem tem todo o direito de dar a sua opinião e deu-a. Certo?
Quem se sentiu atingido tem todo o direito e liberdade de responder se assim o entender e tiver oportunidade para tal. E ponto final! Certo?
Errado, Sr Alípio Ribeiro, o senhor ainda deve estar, a esta hora, a ver e rever as suas declarações para tentar perceber no que se meteu. Vejamos alguns exemplos das reacções suscitadas:
• O juiz desembargador Eurico Reis diz que o Director Nacional da Polícia Judiciária "não mediu a gravidade das suas declarações"
• O deputado Nuno Melo disse que Alberto Costa não devia demitir Alípio Ribeiro mas sim dar explicações sobre as polémicas declarações
• Santana Lopes admite que ficou "surpreendido e considerou que só "razões muito fortes" podem explicar as declarações
• Foi pedida a opinião do Presidente da República que se escusou a comentar
• O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público criticou os responsáveis de organizações que falam sobre processos pendentes.
• O ministro da Justiça manifestou-se disponível para prestar declarações no Parlamento sobre as polémicas declarações.
• Marcelo Rebelo de Sousa considerou «gravíssima» a declaração do director da Judiciária
• Jorge Coelho considerou que as declarações de Alípio Ribeiro foram infelizes

Em jeito de desabafo - as declarações poderão ter sido infelizes e inoportunas e terem desagradado a alguns mas…
. As reacções não serão exageradas?
. Não estarão estas eminências pardas, a fazerem-se de virgens ofendidas, sempre prontas a chafurdar nas fraquezas alheias, aproveitando todos os pretextos para chamar a atenção mesmo que seja discutindo o sexo dos anjos?

fevereiro 07, 2008

Entregar o ouro ao bandido

Segundo dados compilados pela Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira, entre 2002 e 2005, quase metade das investigações da Polícia Judiciária sobre corrupção estão relacionadas com autarquias locais. E mostram que, em 2005, o número de processos de corrupção que saiu deste departamento com proposta de acusação aumentou significativamente.

É hoje notícia que o governo se prepara para descentralizar competências e entregar mais dinheiro às autarquias locais.

A Associação Nacional dos Municípios Portugueses já emitiu um parecer favorável, ai não, à vinda de mais dinheiro e mais competências para as câmaras - gestão, construção e manutenção das escolas do Ensino Básico. Falta apenas acertar alguns pormenores com o Governo para que o decreto vá a Conselho de Ministros, o que acontecerá até ao fim do mês.

Mas isto não será entregar o ouro aos bandidos?
Será por estas e por outras que os políticos, de acordo com estudo realizado recentemente, são a classe que merece menos confiança?

fevereiro 06, 2008

Justiça à portuguesa

Hoje foi notícia que a equipa de coordenação do processo Apito Dourado vai investigar Jorge Nuno Pinto da Costa por mais três anos, num processo catalogado por crimes fiscais e de branqueamento de capitais.
E eu questiono:
Qual é o interesse para a averiguação dos factos de se pôr a circular esta notícia, seja verdadeira ou seja falsa?
Mas porquê três anos? Pretende-se, de facto, investigar ou empalear por um determinado período de tempo, três anos neste caso?
Desde quando é que as investigações se fazem por um período de tempo e não em função dos indícios em causa?
E não terminam quando se conclui da existência ou não de ilícitos?
E se, em pouco tempo, se concluir que o homem está inocente? Vão, mesmo assim, andar encima dele até se esgotarem os três anos?

fevereiro 04, 2008

Sementeira

Hoje dediquei-me à sementeira.
Num germinador semeei bróculos e também plantas aromáticas - orégãos, salsa, tomilho, segurelha e coentros. Noutro tabuleiro semeei couve penca da Póvoa, cebola branca de Lisboa, tomate marmande extra e tomate coração de boi.
Comecei por colocar turfa, quase até cima, calquei um pouco, coloquei uma semente em cada favo, cobri com mais turfa, reguei com muito cuidado e coloquei os germinadores na estufa.
Agora é só esperar que o milagre aconteça e ir espreitando ansiosamente para ver a vida a despontar da terra. Esta fase, como na vida em geral, é, sem dúvida, a mais agradável e emocionante de todo o processo - esperar o nascimento de novas vidas.
Dentro de três dias teremos outra vez a lua nova, esperemos que não haja influências negativas.

fevereiro 03, 2008

Profissão: Formando

Fiquei a saber, há dias, que existe, se não como profissão, pelo menos como ocupação de longa duração, a situação de – formando. Em reunião do sector do turismo em que estive presente com vários operadores, equacionava-se a necessidade da oferta de formação. Foi constatada a sua pertinência mas alguém alertou para o facto de aparecer sempre muita gente para a formação mas a maior parte dos candidatos não querer trabalhar e estar interessado apenas na formação.
Como é?
Falei com outras pessoas que me confirmaram o que eu não acharia possível, mas sim, é isso mesmo.
Parece que há entidades que existem para fazer formação e têm uma bolsa de clientes habituais, sempre dispostos a colaborar. Segundo me disseram, há sempre interessados em receber a bolsa de formação + subsídio de almoço + deslocações + subsídio para infantário, se for o caso. Além de não terem necessidade de "dar o litro", com a falta de ambição que, inevitavelmente caracteriza quem opta por tal "profissão", fica composto o quadro que, pelos vistos, se vai mantendo com a aparente complacência de quem deveria moralizar tal situação.
Também soube que o controlo, que também existe, é uma excepção e não uma regra, o que tem permitido alimentar este fenómeno verdadeiramente lamentável de desvirtuar um potencial factor de desenvolvimento transformando-o num objectivo em si próprio.