fevereiro 06, 2008

Justiça à portuguesa

Hoje foi notícia que a equipa de coordenação do processo Apito Dourado vai investigar Jorge Nuno Pinto da Costa por mais três anos, num processo catalogado por crimes fiscais e de branqueamento de capitais.
E eu questiono:
Qual é o interesse para a averiguação dos factos de se pôr a circular esta notícia, seja verdadeira ou seja falsa?
Mas porquê três anos? Pretende-se, de facto, investigar ou empalear por um determinado período de tempo, três anos neste caso?
Desde quando é que as investigações se fazem por um período de tempo e não em função dos indícios em causa?
E não terminam quando se conclui da existência ou não de ilícitos?
E se, em pouco tempo, se concluir que o homem está inocente? Vão, mesmo assim, andar encima dele até se esgotarem os três anos?

fevereiro 04, 2008

Sementeira

Hoje dediquei-me à sementeira.
Num germinador semeei bróculos e também plantas aromáticas - orégãos, salsa, tomilho, segurelha e coentros. Noutro tabuleiro semeei couve penca da Póvoa, cebola branca de Lisboa, tomate marmande extra e tomate coração de boi.
Comecei por colocar turfa, quase até cima, calquei um pouco, coloquei uma semente em cada favo, cobri com mais turfa, reguei com muito cuidado e coloquei os germinadores na estufa.
Agora é só esperar que o milagre aconteça e ir espreitando ansiosamente para ver a vida a despontar da terra. Esta fase, como na vida em geral, é, sem dúvida, a mais agradável e emocionante de todo o processo - esperar o nascimento de novas vidas.
Dentro de três dias teremos outra vez a lua nova, esperemos que não haja influências negativas.

fevereiro 03, 2008

Profissão: Formando

Fiquei a saber, há dias, que existe, se não como profissão, pelo menos como ocupação de longa duração, a situação de – formando. Em reunião do sector do turismo em que estive presente com vários operadores, equacionava-se a necessidade da oferta de formação. Foi constatada a sua pertinência mas alguém alertou para o facto de aparecer sempre muita gente para a formação mas a maior parte dos candidatos não querer trabalhar e estar interessado apenas na formação.
Como é?
Falei com outras pessoas que me confirmaram o que eu não acharia possível, mas sim, é isso mesmo.
Parece que há entidades que existem para fazer formação e têm uma bolsa de clientes habituais, sempre dispostos a colaborar. Segundo me disseram, há sempre interessados em receber a bolsa de formação + subsídio de almoço + deslocações + subsídio para infantário, se for o caso. Além de não terem necessidade de "dar o litro", com a falta de ambição que, inevitavelmente caracteriza quem opta por tal "profissão", fica composto o quadro que, pelos vistos, se vai mantendo com a aparente complacência de quem deveria moralizar tal situação.
Também soube que o controlo, que também existe, é uma excepção e não uma regra, o que tem permitido alimentar este fenómeno verdadeiramente lamentável de desvirtuar um potencial factor de desenvolvimento transformando-o num objectivo em si próprio.

janeiro 31, 2008

Somos aquilo que comemos

"Não sou esperto nem bruto
Nem bem nem mal educado
Sou simplesmente o produto
Do meio em que fui criado"

António Aleixo
Ao ler um artigo sobre nutrição com o título «Somos aquilo que comemos», extrapolei da nutrição para a socialização e respectivo processo de formação dos cidadãos que somos. E podemos concluir que, também neste capítulo "somos o que comemos". E isso fez-me evocar um texto que escrevi, há já uns anos, e que continua actual e aqui colo, com algumas adaptações:

O nosso país sofre de um mal de letargia endémica. É uma autêntica pescadinha de rabo na boca a produzir e reproduzir os males e malefícios que nos vão afundando cada vez mais. Os cidadãos do país que deu «novos mundos ao mundo» não são, em nada, inferiores aos seus pares de outros países que, em quase todos os rankings olhamos de baixo para cima. A sucessão de governos que fazem de conta que governam transformou-nos num autêntico cemitério onde os mortos-vivos pululam e vão fazendo de conta que estão vivos e se movimentam, ao sabor da maré, sem chama e sem entusiasmo.
Tudo se resume a uma postura derivada de uma mentalidade que se foi construindo de equívoco em equívoco e que deixou a generalidade da população sem moral e sem objectivos. E o exemplo que vem de cima não nos recomenda. O Estado não garante a justiça e a execução das leis; não nos respeita nem tem uma atitude pedagógica no trato com os cidadãos, não é pessoa de bem, não paga a horas mas exige de nós de forma unilateral. Os nossos governantes e gestores públicos esquecem-se que estão num país pobre em que a generalidade da população tem carências de toda a ordem mas não prescindem (os detentores do poder) de esbanjar o que nos sacam em todo o tipo de benesses e mordomias como reformas chorudas e precoces, automóveis topo de gama, assessores aos montes...
O modelo de cidadão que temos no nosso imaginário colectivo é um consumista, com um bom carro, férias no estrangeiro, tudo do bom e que ganha muito dinheiro e trabalha muito pouco. E para obter isto vale tudo - endividamento, fuga aos impostos, falcatruas, corrupção... E a base que devia suportar estas aspirações - a dedicação ao trabalho e a produtividade consequente não são possíveis. Porquê? porque as empresas não investem porque não podem, não querem ou não sabem e os trabalhadores são mal pagos e estão descrentes e como tal não pode haver sucesso. Para manter o nível de vida que ambicionamos, fazemos mais umas coisas por fora. Os polícias conduzem um táxi ou fazem segurança, os professores dão explicações, os políticos fazem umas habilidades, o mecânico, o trolha, o picheleiro, etc fazem mais uns biscates, outros vendem seguros, apartamentos ou tuperwares, os administradores de empresas acrescentam mais umas quantas ao rol, os médicos desdobram-se como podem, etc. Enfim todos tentam desenrascar-se para fazer face ao consumismo vigente. E, claro que assim não podemos render na nossa actividade principal e, mesmo aqueles que se encontram motivados e tentam desenvolver um trabalho sério acabam por ser apanhados nas malhas do marasmo e a duvidar se é assim que deve ser ou se não deverão fazer como os outros que se desenrascam e «têm sucesso». E a nossa juventude, imbuída desse mesmo espírito, não se dedica seriamente ao estudo e não pode ter sucesso. E o insucesso leva ao abandono escolar e à iliteracia generalizada, entrada precoce no mundo do trabalho e falta ou inexistência de quadros técnicos ou baixa qualificação profissional. E, como o trabalho não nos realiza, temos baixa auto-estima e vamos para a estrada procurar a realização, armados em reis, com as consequências que sabemos. E a baixa produtividade estende-se à saúde, justiça, fiscalidade e temos o quadro que bem conhecemos.
Quando sairemos disto?

janeiro 30, 2008

Bastonário 2 – Políticos 0

O Bastonário da ordem dos advogados voltou a repetir, ontem, na cerimónia de abertura do ano judicial, alto e bom som, as acusações que já fizera e que tanto parecem ter incomodado alguns políticos. Andei distraído ou, da segunda vez, já nem houve reacção por parte destes?
Fico com a nítida sensação de que, em vez de se pretender apurar responsabilidades e fazer justiça, nas entrelinhas do que foram as várias reacções, transparecia outro género de preocupações, centradas no denunciante e não nos factos denunciados.
Parece que a toda gente conhece os factos em causa e o inquérito prometido se destina apenas a criar a ilusão que se vai fazer alguma coisa enquanto a poeira do esquecimento não acaba de assentar.
Ou estarei enganado?
Plus ça change, plus c'est pareil!

janeiro 29, 2008

Abertura do ano judicial

Ao ver a reportagem da cerimónia de abertura do ano judicial, chamou-me a atenção a quantidade de artistas, quase todos pagos pelo Estado, que são necessários para fazer a dita abertura.
O artista número um nesta matéria, o ministro da Justiça, depreendo que seria imprescindível para abrir capazmente o ano judicial, começou assim o seu discurso: (Não vou colar aqui o discurso, isto é só para ter pé de dizer quem são os artistas que são necessários para abrir o ano Judicial como deve ser):
Senhor Presidente da República
Senhor Primeiro-Ministro
Senhor Vice-Presidente da Assembleia da República
Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça
Senhor Presidente do Tribunal Constitucional
Senhor Procurador-Geral da República
Senhor Presidente do Supremo Tribunal Administrativo
Senhor Bastonário da Ordem dos Advogados
Sua Eminência Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa,
Senhores Ministros da República para os Açores e Madeira
Senhor Provedor da Justiça
Senhores Presidentes dos Tribunais Superiores
Senhores Procuradores-Gerais Distritais
Senhores Magistrados Judiciais
Senhores Magistrados do Ministério Público
Senhores Advogados
Excelentíssimas Autoridades Civis, Religiosas e Militares
Minhas Senhoras e Meus Senhores
XVII Governo Constitucional - presente, pela primeira vez, nesta cerimónia de abertura do ano judicial.
E, ao que parece, por lá passaram a tarde porque isto de abrir o ano judicial não deve ser pêra doce.
Deve ter custado um balúrdio ao erário público, muitas tarefas ficaram por fazer, principalmente na justiça mas não havia outra solução, já estamos no fim de Janeiro e alguém tinha de abrir o ano judicial, seja lá o que isso for.

janeiro 28, 2008

Apupos

Parece que os deputados do PS têm recebido muitas queixas de cidadãos, nomeadamente de professores acerca dos procedimentos prepotentes por parte do governo e pretenderam questionar elementos da equipa ministerial da Educação, Ministra incluída. Mas a reunião não terá corrido bem e acabou com acusações mútuas e a equipa da Educação a considerar que os deputados estavam a dar voz a "professorzecos".
É elementar dizer que o respeito devido a todos os cidadãos devia ser uma constante e um exemplo que, seria suposto, vir de cima. Esta tirada, sintomática do despudor, prepotência, arrogância e falta de respeito deste governo já nem sequer espanta. É apenas mais do mesmo.
Claro que, assim, não admira que o Sr. Primeiro Ministro diga que não se importa de ser apupado. O treino já é tanto! E, com saídas destas por parte da equipa que chefia, não me espanta que os apupos passem a ser a única manifestação pública a que passará a ter direito.