janeiro 20, 2008

Silha dos ursos porque sim


Hoje tive o prazer de guiar um grupo no passeio das "Silhas dos Ursos" na Serra do Gerês.
As silhas dos ursos são os locais, naturais (foto da esquerda) ou construídos pelo homem (foto da direita), onde eram colocadas as colmeias, fora do alcance da voracidade dos ursos que, tal como os humanos, adoram mel. Já não há ursos no Gerês desde o ano 1500, segundo se crê, mas as silhas continuam lá. Nos séculos seguintes, XVII e XVIII, após o desaparecimento dos ursos, as silhas continuaram a ser construídas da mesma forma apesar da extinção dos ursos.
É interessante verificar que foram necessários vários séculos para, tal como hoje, as colmeias dispensarem as silhas e começarem a ser colocadas directamente no chão.
Muitas vezes cristalizamos procedimentos e continuamos a fazer as coisas de uma determinada forma mesmo que tenham desaparecido os motivos para tal. De forma cega, sem nos questionarmos, fazemo-lo porque sempre fizémos dessa forma ou apenas... porque sim.

janeiro 19, 2008

Mau exemplo



"Os gregos, na sua relação com a natureza, não descreviam florestas ou montanhas; adoravam-nas e nelas construiam templos" G. Murray
Hoje deixei-me entusiasmar pela beleza da serra do Gerês e aventurei-me, sozinho, sem mesmo ter dito nada a ninguém sobre o local para onde me dirigia. Isto é o que nunca se deve fazer, assim diria Frei Tomás.
O que estava previsto ser apenas o reconhecimento pontual de uma pequena parte do passeio da Silha dos Ursos, a realizar àmanhã, prolongou-se um pouco mais. Comecei junto à Casa de Junceda e, só mais um bocadinho para tirar mais umas fotos, que tempo maravilhoso, deixa passar esta encosta para ver mais um pouco... acabei por lá passar a maior parte do dia.

janeiro 18, 2008

Brunhoso à luz da candeia

O Xeringador faz aqui uma vénia ao Zamit pelo texto que colo em baixo, colocado na página de Brunhoso. Parabéns ao Zamit que eu desconfio quem seja mas... só posso ter a certeza quando ele o confirmar! Espero que se dê rapidamente a conhecer para lhe dar os parabéns pela excelente reconstituição de uma época em que o Seringador desempenhava o seu papel veiculando novidades e, não menos importante, para que este texto não continue órfão de autor.

"Naquele tempo a autoridade não se discutia. Era Deus no céu e Salazar em Lisboa. O Presidente da Câmara era um Doutor rico e importante (já o pai dele tinha sido) que estava lá por ser amigo dos dois anteriores e cuja missão era só zelar pelo seu respeito. Em Brunhoso havia um Presidente da Junta que administrava sem reclamações, embora as calçadas das ruas estivessem cada vez mais esburacadas, os caminhos da ladeira eram carreiros, não havia saneamento, nem electricidade, água havia nas bicas e nas fontes. Os indígenas nunca tinham conhecido melhor ou já não se lembravam e as autoridades, distantes e omnipotentes, não admitiam protestos. Havia um Regedor que, tal como o Presidente da Junta, nada fazia, pois as pessoas eram pacíficas e resolviam os pequenos choques e divergências entre eles, por vezes à lambada e ao pontapé. O padre Zé era a autoridade religiosa e a única que mostrava algum serviço. Fazia os batizados, casamentos e funerais sem cobrar nada por isso. Era um homem bom, rico, teimoso e virtuoso. Vivia rodeado de 3 ou 4 mulheres e nunca se lhe conheceu filho algum. Rezava as missas, a que era obrigatório assistir aos domingos, sob pena de pecado mortal ou de se ser apelidado de protestante ou comunista, o que para o povo eram a mesma coisa. Homens à frente mulheres atrás, todos cumpriam a sua obrigação, com mais devoção as mulheres pois habitualmente só elas comungavam (as mulheres foram sempre mais pecadoras). O padre Zé além de dar o dinheiro dos responsos aos rapazes que o ajudavam à missa, dava cigarros a muitos homens, a alguns passou-lhes o vício (era no tempo em que o tabaco não fazia mal às pessoas). A autoridade máxima dos garotos era a professora, imponente,competente e altiva, ensinou-lhes a matemática, a gramática, a geografia e as vénias do salazarismo. Brunhoso vivia em paz, miséria (quase todos) e harmonia, pelo menos desde há 500 anos atrás, pois que conste as Invasões Francesas não passaram por lá. Até ao Entrudo! A procissão ainda vai no adro e o Jacob leva o estandarte maoior!

Besta comedeira, rédea curta

O provérbio do título resume alguns dos cuidados a ter na aquisição de cartões bancários. Se sabemos, à partida, com quem estamos a lidar, é conveniente deixar-lhes a rédea bem curta para não nos pormos a jeito de nos fazerem o que melhor sabem. Ou seja, em vez de aceitarmos o que os bancos nos querem impingir seria bom pensarmos também na nossa conveniência e sermos mais criteriosos aceitando apenas os cartões de que realmente precisamos.
Hoje, aliás ontem, visto que já passa da meia noite, ia ao BPI para anular mais um cartão, neste caso da empresa, preparado para mais um assalto à bolsa. Mas, tratando-se de um cartão de débito, com código, não houve necessidade de o anular nem tão pouco de o colocar na lista negra. De qualquer forma, o custo da anulação seria de apenas sete euros. Aproveitei para perguntar o valor que o BPI cobraria se se tratasse de um cartão de crédito – 25 euros. Também não dormem, não senhor.

janeiro 16, 2008

Agarra que é ladrão II

Hoje continuei a minha saga e fui dar baixa do cartão do BCP. Comissão de colocação em lista negra - 27.50€.
Como? - Perguntei - É que parece um valor exagerado, na CGD só me vão roubar, perdão, cobrar, 10 euros.
Resposta do funcionário - Isso é lá com eles mas, tanto quanto sei, 27.50€ é o valor que os serviços da Visa nos roubam, perdão, nos cobram, a nós.
Equacionei a possibilidade de não dar baixa porque, mesmo correndo o risco de o cartão vir a cair em más mãos, talvez não fossem tão más como as do BCP.
Por segurança, acabei por colocá-lo na tal lista negra.
Perguntaram se queria outro cartão. Não, obrigado. E resolvi optar pelo acesso através da net.

janeiro 15, 2008

Agarra que é ladrão!

Decorridos dez dias, ver mensagem de 04.01.08, apesar das rezas da mulher a dias, a verdade é que a carteira perdida e os respectivos cartões não apareceram.
Hoje resolvi ir dar baixa dos cartões e cheques. A Caixa Geral de Depósitos costuma enviar-me, de vez em quando, novos cartões por sua iniciativa. Agora que fui eu a pedir exigiram-me comprovativo de morada e profissão. Quando lhes quis facultar um documento oficial, decobri que afinal também tinha perdido a carta de condução. Aconselharam-me a ir participar à polícia antes de dar baixa dos cheques e dos cartões. A polícia achou que era melhor ir ver também na GNR. Já que estava na GNR resolvi participar a perda da carta de condução. Que não senhor, o melhor era ir antes à polícia. E voltei à caixa onde me cobraram 8.50€ respeitantes a, dizem eles, encargos de cancelamento dos cheques e mais 10€ para colocar o cartão na lista negra, procedimento obrigatório para pedir novo cartão. Isto sem falar nos custos do novo cartão e cheques. Interessante verificar que os cartões e cheques estiveram tanto tempo extraviados e ninguém roubou nada, mal comuniquei à CGD, começaram logo a trabalhar. Meus senhores, ali não se brinca.

janeiro 14, 2008

Sinais do tempo


Hoje, no ginásio, ao ver aquelas pessoas no seu afã de queimar gorduras extra, esculpir os corpos, tratar da saúde ou outros motivos, cada um terá os seus, dei comigo a pensar como as coisas mudam. Noutros tempos, os alimentos eram escassos e o organismo armazenava, sob a forma de gordura, o máximo de energia para fazer face aos períodos de penúria que, inevitavelmente, iriam surgir. Quem acumulasse mais energia estava mais apto para sobreviver aos períodos de carência.
A nossa cabeça já sabe mas os nossos corpos ainda não perceberam que esses tempos já passaram e já não precisamos de nos empanturrarmos de comida para precaver o futuro. Agora, ao contrário de antigamente, quem está mais bem apetrechado para a vida não é quem acumulou energia mas sim quem queimou o excedente.