janeiro 18, 2008

Besta comedeira, rédea curta

O provérbio do título resume alguns dos cuidados a ter na aquisição de cartões bancários. Se sabemos, à partida, com quem estamos a lidar, é conveniente deixar-lhes a rédea bem curta para não nos pormos a jeito de nos fazerem o que melhor sabem. Ou seja, em vez de aceitarmos o que os bancos nos querem impingir seria bom pensarmos também na nossa conveniência e sermos mais criteriosos aceitando apenas os cartões de que realmente precisamos.
Hoje, aliás ontem, visto que já passa da meia noite, ia ao BPI para anular mais um cartão, neste caso da empresa, preparado para mais um assalto à bolsa. Mas, tratando-se de um cartão de débito, com código, não houve necessidade de o anular nem tão pouco de o colocar na lista negra. De qualquer forma, o custo da anulação seria de apenas sete euros. Aproveitei para perguntar o valor que o BPI cobraria se se tratasse de um cartão de crédito – 25 euros. Também não dormem, não senhor.

janeiro 16, 2008

Agarra que é ladrão II

Hoje continuei a minha saga e fui dar baixa do cartão do BCP. Comissão de colocação em lista negra - 27.50€.
Como? - Perguntei - É que parece um valor exagerado, na CGD só me vão roubar, perdão, cobrar, 10 euros.
Resposta do funcionário - Isso é lá com eles mas, tanto quanto sei, 27.50€ é o valor que os serviços da Visa nos roubam, perdão, nos cobram, a nós.
Equacionei a possibilidade de não dar baixa porque, mesmo correndo o risco de o cartão vir a cair em más mãos, talvez não fossem tão más como as do BCP.
Por segurança, acabei por colocá-lo na tal lista negra.
Perguntaram se queria outro cartão. Não, obrigado. E resolvi optar pelo acesso através da net.

janeiro 15, 2008

Agarra que é ladrão!

Decorridos dez dias, ver mensagem de 04.01.08, apesar das rezas da mulher a dias, a verdade é que a carteira perdida e os respectivos cartões não apareceram.
Hoje resolvi ir dar baixa dos cartões e cheques. A Caixa Geral de Depósitos costuma enviar-me, de vez em quando, novos cartões por sua iniciativa. Agora que fui eu a pedir exigiram-me comprovativo de morada e profissão. Quando lhes quis facultar um documento oficial, decobri que afinal também tinha perdido a carta de condução. Aconselharam-me a ir participar à polícia antes de dar baixa dos cheques e dos cartões. A polícia achou que era melhor ir ver também na GNR. Já que estava na GNR resolvi participar a perda da carta de condução. Que não senhor, o melhor era ir antes à polícia. E voltei à caixa onde me cobraram 8.50€ respeitantes a, dizem eles, encargos de cancelamento dos cheques e mais 10€ para colocar o cartão na lista negra, procedimento obrigatório para pedir novo cartão. Isto sem falar nos custos do novo cartão e cheques. Interessante verificar que os cartões e cheques estiveram tanto tempo extraviados e ninguém roubou nada, mal comuniquei à CGD, começaram logo a trabalhar. Meus senhores, ali não se brinca.

janeiro 14, 2008

Sinais do tempo


Hoje, no ginásio, ao ver aquelas pessoas no seu afã de queimar gorduras extra, esculpir os corpos, tratar da saúde ou outros motivos, cada um terá os seus, dei comigo a pensar como as coisas mudam. Noutros tempos, os alimentos eram escassos e o organismo armazenava, sob a forma de gordura, o máximo de energia para fazer face aos períodos de penúria que, inevitavelmente, iriam surgir. Quem acumulasse mais energia estava mais apto para sobreviver aos períodos de carência.
A nossa cabeça já sabe mas os nossos corpos ainda não perceberam que esses tempos já passaram e já não precisamos de nos empanturrarmos de comida para precaver o futuro. Agora, ao contrário de antigamente, quem está mais bem apetrechado para a vida não é quem acumulou energia mas sim quem queimou o excedente.

Onze meses sem fumar

Faz hoje, catorze de Janeiro do ano da graça de dois mil e oito, onze meses que sou fumador em abstinência. Daqui a um mês irei apresentar a factura ao meu grande amigo, Pedro, que prometeu pagar-me um almoço onde eu quisesse, custasse o que custasse, quando deixasse de fumar. Ele não se esqueceu e, há pouco menos de onze meses, ao dar pela falta do meu fumo, fez questão de lembrar que a promessa, velhinha de muitos anos, continuava de pé. Disse-lhe que esperasse um ano.
Espero que esta seja a última vez que comemoro xis meses sem fumar pois, embora continue muito satisfeito com a condição de fumador em abstenção, já considero isso uma coisa normal e o tabaco já não me diz quase nada. Sei que uma recaída é sempre possível mas, neste momento, já não posso dizer que é preciso um grande esforço para manter a decisão. O meu principal receio é deparar-me com uma situação na minha vida, tão má, que me faça concluir que, no cenário em causa, o tabaco é o menor dos males. Daí a baixar as defesas e deitar tudo a perder seria um passo bem pequeno.
A condição actual de que me orgulho e quero manter – prática desportiva regular, melhor qualidade de vida, alimentação mais saudável a precaver o possível aumento de peso - não é compatível com o estatuto de dependente do tabaco. Tudo isto, a somar ao aumento da auto-estima, acaba por constituir uma âncora que me mantém bem preso à minha decisão iniciada há, exactamente, onze meses.

janeiro 13, 2008

A união faz a força

Acabei de ver no youtube um vídeo cujo sucesso é comprovado pelos muitos milhões de visionamentos. A cena foi mesmo muito bem apanhada: um grupo de leões apanha uma cria de búfalo. Os dois adultos que acompanhavam o júnior, em inferioridade numérica, parecem abandonar a cria à sua sorte... Os leões, em fase de imobilização da presa acabam por cair todos no lago com o pequeno búfalo nas suas garras. E zás, um crocodilo rouba-lhes o petisco mas, após disputa, finalmente conseguem recuperar o almoço esperado das garras do crocodilo e trazê-lo para terra (o almoço, não o crocodilo). Preparavam-se para dar o golpe de misericórdia quando chegam reforços - uma manada de búfalos - que lhes estraga os planos e provoca a debandada dos leões.
E foi bonito ver a luta que terminou com a vitória, sem espinhas, dos búfalos sobre os leões. E aqueles a quem costumamos chamar reis da selva tiveram que se pôr a andar com o rabinho entre as pernas antes que a sua sorte piorasse.
Não há dúvida que a união faz a força.
Além da felicidade do operador de câmara que estava na hora certa, no local certo, com o material certo, para a história terminar em beleza, a cria acabou por se safar.

janeiro 09, 2008

A morte do artista

A minha amiga Diana confidenciou-me, hoje, que ficou de apresentar um trabalho, no seu grupo de meditação, sobre um raio de um tema, mais tétrico não pode haver - a morte. E perguntou-me se não queria escrever um textinho só para lhe dar o mote para a sua dissertação. Como bloguista que se preza e já que não arrisco molestar os leitores que não tenho, não enjeitei a oportunidade de reflectir um pouco sobre o assunto.
E porquê o título - morte do artista? Apenas para suavizar um pouco o tema. Todos sabemos que a morte, em abstracto, é muito triste e constitui um tema tabu em que ninguém gosta de tocar nem mesmo para ajudar a Diana. Mas, vá-se lá saber porquê, se se tratar da morte do artista, já não há nenhum problema e ninguém reclama. Porquê? Haverá artistas a mais e até é bom que a morte nos vá libertando de alguns deles? Não me parece.
Ora, pensando um pouco, a única morte que existe é mesmo a do artista. A sua marca no mundo e nas pessoas com quem lidou ficará por cá. A sua obra, boa ou má, com tudo o que ele fez, enquanto por cá andou, vai continuar; as riquezas que amealhou ou as dívidas que contraiu, as obras que executou, o bem ou o mal que fez, as influências que exerceu, o amor que suscitou, tudo isso ficará juntamente com a saudade ou a alegria da sua partida.
Então por que é que nos deixa tanta mágoa perder alguém? Porque deixámos de poder inter-agir com essa pessoa. E é a inter-acção que move este mundo e nos faz dizer que a solidão é o pior que há. É essa mesma necessidade de inter-agir que nos leva a comunicar de todas as formas - a escrever mensagens, cartas, blogues ou livros - e tentar ter um retorno dos receptores da nossa mensagem; sejam eles quem forem, até poderão ser desconhecidos.
Bem podemos concluir que viver é inter-agir e inter-agir é viver, até que a morte nos separe.