Faz hoje, catorze de Janeiro do ano da graça de dois mil e oito, onze meses que sou fumador em abstinência. Daqui a um mês irei apresentar a factura ao meu grande amigo, Pedro, que prometeu pagar-me um almoço onde eu quisesse, custasse o que custasse, quando deixasse de fumar. Ele não se esqueceu e, há pouco menos de onze meses, ao dar pela falta do meu fumo, fez questão de lembrar que a promessa, velhinha de muitos anos, continuava de pé. Disse-lhe que esperasse um ano.Espero que esta seja a última vez que comemoro xis meses sem fumar pois, embora continue muito satisfeito com a condição de fumador em abstenção, já considero isso uma coisa normal e o tabaco já não me diz quase nada. Sei que uma recaída é sempre possível mas, neste momento, já não posso dizer que é preciso um grande esforço para manter a decisão. O meu principal receio é deparar-me com uma situação na minha vida, tão má, que me faça concluir que, no cenário em causa, o tabaco é o menor dos males. Daí a baixar as defesas e deitar tudo a perder seria um passo bem pequeno.
A condição actual de que me orgulho e quero manter – prática desportiva regular, melhor qualidade de vida, alimentação mais saudável a precaver o possível aumento de peso - não é compatível com o estatuto de dependente do tabaco. Tudo isto, a somar ao aumento da auto-estima, acaba por constituir uma âncora que me mantém bem preso à minha decisão iniciada há, exactamente, onze meses.



