
Despedida do último dia do ano, a coincidir com a entrada em vigor da nova lei do tabaco.
Na condição de fumador em abstinência prolongada, vou no 11º mês e assim espero continuar, estou sensibilizado para esta problemática. Nas minhas pesquisas sobre o fumo, deparo-me, frequentemente, com dois argumentos contra a proibição, usados pelos fumadores. Um desses argumentos é o estatuto de beneméritos que os fumadores se arrogam, por se considerarem os salvadores da Pátria, através dos elevados impostos que pagam sobre o tabaco. Pelos vistos, nesta parcela, são devedores e não credores pois essa receita adicional não chega a cobrir os custos das doenças provocadas pelo tabaco.
Outro argumento invocado, partilhado com os que não querem usar cinto de segurança, é o direito à liberdade e controlo da sua vida e da sua saúde. E, como tal, se optam por fumar, apesar dos malefícios, dizem eles, esse é um assunto que, apenas a eles, diz respeito. Trata-se, quanto a mim, de pura hipocrisia pois só ouço esse argumento a quem ainda tem saúde. Não tenho conhecimento que alguém o tenha invocado na hora de receber os cuidados médicos que as doenças provocadas pelo tabaco implicam. Nessa altura, as consequências do tabaco já não dirão respeito apenas a cada um, ou estarei enganado?


